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Projeto de resolução do CDS sobre Programa de Estabilidade é “malabarismo político”

À saída de uma audiência com o Presidente da República, Catarina Martins sublinhou que "enquanto o Governo estiver a recuperar rendimentos do trabalho, a proteger o Estado Social, aqui está o Bloco, como sempre". A porta voz bloquista defendeu que "à política de recuperação de rendimentos é preciso juntar uma estratégia económica sobre emprego no nosso país".
Foto de Pedro Nunes, Lusa.

Questionada sobre a possibilidade de o Programa de Estabilidade, que será debatido na próxima quarta-feira no Parlamento, ir a votos, Catarina Martins respondeu que “o programa não vai a votos, não deve ir a votos”, na medida em que “os programas vão a votos quando os governos consideram que precisam de um qualquer voto de confiança ou quando os partidos têm um programa que querem rejeitar”, e “não se passa isso neste momento na maioria".

No final da audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, na qual estiveram também presentes Pedro Filipe Soares e Pedro Soares e foi discutida a "situação nacional" e as "questões levantadas pelo Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas", a porta-voz do Bloco afirmou aos jornalistas que a divergência dos bloquistas com o Programa de Estabilidade "é a de sempre", estar enquadrado no semestre europeu, um mecanismo para impor aos países "programas de austeridade", mas destacou que os bloquistas não vão criar "crises sobre aquilo que não é preciso criar".

"Para nós não há aqui um problema e não vale a pena criarmos problemas onde eles não existem", reforçou Catarina Martins.

"Enquanto o Governo estiver a recuperar rendimentos do trabalho, a proteger o Estado social, aqui está o Bloco, como sempre", vincou.

A porta voz bloquista lembrou que o último Programa de Estabilidade "previa cortes nas pensões de 600 milhões de euros a cada ano" e que isso não está em cima da mesa atualmente.

Sobre o projeto de resolução do CDS sobre o documento, Catarina Martins afirmou que se trata de um “malabarismo político”.

“O próprio CDS disse que não queria rejeitar o programa mas queria criar dificuldades à maioria parlamentar. Julgo que ninguém em Portugal compreende, com tanto desemprego, com tantos problemas que temos reais para tratar que um partido se dedique a estas politiquices sem nenhum sentido", apontou.

O Bloco fez um acordo para uma maioria parlamentar para um governo diferente precisamente para destruir as reformas estruturais, que mais não foram do que cortar salários e pensões, feitas por PSD ou CDS

"Acresce que o CDS põe no projeto de resolução que não quer que sejam desfeitas as reformas estruturais feitas pelo anterior Governo. O Bloco fez um acordo para uma maioria parlamentar para um governo diferente precisamente para destruir as reformas estruturais, que mais não foram do que cortar salários e pensões, feitas por PSD ou CDS", acrescentou.

Sublinhando que o programa não tem "medidas que contradigam o acordo que o Bloco fez para uma maioria parlamentar", a dirigente bloquista advogou que o momento devia ser aproveitado para debater problemas "da estrutura da economia".

"À política de recuperação de rendimentos é preciso juntar uma estratégia económica sobre emprego no nosso país", defendeu.

Catarina Martins assinalou também que o partido "fez o seu trabalho de casa", com a apresentação de propostas, nomeadamente "para reduzir o endividamento externo e para criação de emprego, sobre áreas tão essenciais como o sistema financeiro, a eficiência energética, a descarbonização da economia, a soberania alimentar".

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