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Projeto de inclusão diminui absentismo escolar entre crianças ciganas

O projeto “Rise”, aplicado num agrupamento escolar em Vila Verde, contribuiu para a diminuição do absentismo e do insucesso escolar de alunos ciganos ao procurar uma “inclusão emancipada” numa “rede de sociabilidade”.
Fotografia: cria.pt
Fotografia: cria.pt

Segundo a agência Lusa, Maria José Casa-Nova, professora da Universidade do Minho e coordenadora do referido projeto, afirmou que o mesmo assenta na articulação entre famílias e escola, interculturalidade e diálogo, formação de professores e articulação curricular.

O projeto, que foi aplicado no pré-escolar, no primeiro e no segundo ciclo, teve início em 2018 e deverá terminar em março de 2020. Com ele, pretende-se que seja feito um guia de boas práticas que possa servir para outras escolas com crianças ciganas e de outras minorias socioeconómicas.

Mais do que resultados quantitativos deste tipo de projetos, é preciso retirar resultados qualificativos. Se por um lado é possível quantificar um menor abandono escolar e taxas de insucesso a diminuir, por outro é preciso salientar esses resultados foram conseguidos pela inversão do paradigma Ensino/Aprendizagem para Aprendizagem/Ensino, colocando o aluno como o centro das atenções na sala de aula”, afirmou à Lusa Casa-Nova, que também é membro do Observatório das Comunidades Ciganas.

Para a referida “inversão”, foram usados “dispositivos pedagógicos” que pudessem fazer com que os alunos aprendessem matérias escolares através de mecanismos que os tornassem protagonistas nas aulas.

Segundo a referida docente, a participação dos familiares foi ativa, tendo havido diálogo entre os pais das outras crianças, “que se mostravam cada vez mais recetivos às suas ideias e forma de participar no contexto escolar”. “Conseguiu-se criar uma rede de sociabilidade sem que tenha havido má receção de nenhuma das partes”, afirmou.

A docente sublinhou ainda uma boa recetividade por parte dos professores em relação às ações de formação. De resto, considera que a articulação curricular foi o ponto que trouxe “mais resultados qualitativos” e que o projeto possibilitou “incutir nas crianças, desde cedo, a consciência das práticas de desigualdade de género”, razão pela qual fala em “inclusão emancipada”.

Grande parte destas crianças, como outras noutros contextos socioeconómicos de descriminação, se não forem à escola buscar ferramentas de educação, não as vão ter em lado nenhum. Por isso, a escola tem de agir e formar ao mesmo tempo, trabalhando de forma a que cada sujeito possa fazer o seu caminho de emancipação”, afirmou à Lusa.

Os resultados do projeto, que contou com o financiamento do programa Direitos, Igualdade e Cidadania da Comissão Europeia, são apresentados esta terça-feira na Universidade do Minho.

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