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Profissionais de saúde defendem contratação de mais trabalhadores na passagem a 35 horas

Enfermeiros, assistentes e técnicos de diagnóstico passam a 1 de julho às 35 horas de trabalham semanais e criticam governo pela não contratação de mais trabalhadores, tal como estava previsto.
Profissionais de saúde defendem contratação de mais trabalhadores na passagem a 35 horas
Foto de Paulete Matos.

Dia 1 de julho marca a passagem de milhares de enfermeiros, assistentes e técnicos de diagnóstico para as 35 horas de trabalho semanais e, por esse motivo, são vários os representantes de profissionais de saúde que vêm lembrar que ainda não foram concretizadas as contratações pedidas pelas instituições.

“Estava previsto que houvesse, nestes primeiros seis meses, um processo ou um plano de contratação de enfermeiros para que, chegados a esta hora, a transição para as 35 horas pudesse ser feita de uma forma o mais calma possível”, mas isso não aconteceu, lamentou Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) à agência Lusa. 

Guadalupe Simões considera que “o que se avizinha é um período caótico e mesmo de rutura na maioria das instituições, já para a semana” uma vez que não foram contratados os cerca de 2 000 enfermeiros necessários para compensar a redução das 40 para as 35 horas semanais.

A dirigente do SEP lembra ainda que, mesmo que as contratações fossem feitas a 1 de julho, é sempre necessário um período de integração, “porque ninguém começa a trabalhar numa instituição de saúde sem, no mínimo, saber como está organizada”.

“Tudo isso são entraves e coloca obstáculos ao funcionamento regular dos serviços e tudo poderia ter sido feito de outra forma” se o plano de contratação já tivesse avançado, mas “o ministério da Saúde deixou tudo para o fim”, lamentou em declarações à agência Lusa, defendendo que o ministro “terá de ser responsabilizado” pela situação criada.

“O que vai ficar em causa é provavelmente um aumento de listas de espera” para a realização de exames e um atraso na entrega de resultados, por exemplo das análises clínicas, mas nunca pondo em causa as “necessidades impreteríveis dos serviços de urgência”, disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, Luís Dupont. 

Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considera que esta “é uma situação que pode e vai reduzir a capacidade de resposta do Serviço Nacional da Saúde”, numa altura em que há “imensas dificuldades”, com por exemplo as listas de espera para cirurgia a aumentar de ano para ano. 

Miguel Guimarães lembra que serão também as “regiões mais carenciadas e mais periféricas” aquelas que irão “sofrer mais” com a redução dos horários, uma vez que já se encontravam debilitadas a nível do número de profissionais de saúde.

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