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Professores e investigadores precários concentraram-se no Porto

Na regularizaçao de precários da ciencia, apenas 186 dos 2.298 requerimentos apresentados foram aprovados, foi denunciado. Deputado bloquista Luís Monteiro acusou “representantes do Governo” e reitores de terem “acordo para chumbar a esmagadora maioria dos requerimentos”.
Concentraçao de precários da Universidade do Porto, 14 de janeiro de 2019 – Foto Rui Farinha/Lusa
Concentraçao de precários da Universidade do Porto, 14 de janeiro de 2019 – Foto Rui Farinha/Lusa

Nesta segunda-feira, precários da Ciencia concentraram-se na Praça dos Leoes, em frente à Reitoria da Universidade do Porto (UP), para defenderem os seus direitos e exigirem que reitores e governo cumpram o PREVPAP (programa de regularização extraordinária dos vínculos precários na Administração Pública).

A docente universitária Renata Freitas denunciou, em declarações à Lusa: "[A UP] tem usado os bolseiros de gestão de ciência e tecnologia para assegurar tarefas administrativas, tem usado os bolseiros para investigação e dar aulas, tem usado os investigadores com contratos para fazerem os programas de mestrado, para dar aulas de doutoramento, orientar os alunos (…) e para fazer toda a programação científica da universidade".

"O que a sociedade tem de saber é que, neste momento, nas universidades os filhos das pessoas, que estão a fazer licenciaturas, mestrados e doutoramentos estão a ter aulas de pessoas que, por vezes, não têm qualquer vínculo à instituição (…) por vezes contratados ao dia ou à hora", acrescentou Renata Freitas.

E acusou, "no que se refere à investigação científica, os reitores têm dito a nível nacional que os investigadores não são uma necessidade permanente. Ora se é uma missão da universidade fazer investigação, como é que os investigadores são todos descartáveis mesmo que já estejam há 20 anos na carreira?".

Pedro Oliveira, docente da UP e representante do Sindicato dos Professores do Norte, disse à Lusa que dos "173 casos de docentes da UP analisados [pelo PREVPAP], foram aprovados cinco casos de docentes e de investigadores não foi aprovado nenhum".

"O argumento que tem sido usado pela UP é que os investigadores estão associados a entidades privadas sem fins lucrativos", acrescentou.

O deputado do Bloco de Esquerda Luís Monteiro denunciou à agencia que há um "acordo entre representantes do Governo e reitores das universidades portuguesas para chumbar a esmagadora maioria dos requerimentos de investigadores e docentes convidados".

Luís Monteiro anunciou que o Bloco de Esquerda vai entregar um requerimento na Assembleia da República para que o reitor da UP, António Sousa Pereira, vá ao parlamento "explicar, um a um, porque é que chumbou estes requerimentos".

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