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Professor da Universidade do Porto volta a ser suspenso por comentários sexistas e racistas

Desta vez, o docente foi suspenso por 90 dias após a participação de mais de uma centena de alunos. Bloco quer saber o que o Governo vai fazer para apurar os factos e tomar medidas.
Reitoria da Universidade de Porto - Foto de domjisch | Flickr

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) suspendeu por 90 dias o professor auxiliar Pedro Cosme da Costa Vieira, pela segunda vez, após uma participação subscrita por 129 alunos, segundo o jornal Público.

Os alunos em causa são das disciplinas de Jornalismo, Assessoria e Multimédia da Licenciatura em Ciência da Comunicação e condenam a atitude do docente, afirmando que “incitam ao ódio e constituem crimes de assédio e discriminação”.

A conduta do professor, de acordo com os alunos, terá acontecido nos anos letivos de 2018/2019 e 2019/2020 e referem frases como: “Qualquer dia a minha amiga Marta, do judo, que é ceguinha, vai chegar a casa grávida”; “A instrutora (do judo) teve de me mandar lá para fora porque estava quase a saltar-lhe ao pacote”; “Sabem o que é uma caçadeira? Aquela arma que os homens usam para matar as mulheres”; “As mulheres brasileiras são uma mercadoria”.

Há cinco anos, o mesmo professor já tinha sofrido outra sanção e foi suspenso por 30 dias “por condutas relacionadas com a mesma temática”, pode ler-se no despacho reitoral da FEP ao que o jornal Público teve acesso.

Os alunos, nesta nova participação, alertam para o “clima e comentários vividos nas aulas” e que vários alunos já deixaram de participar por causa do “ambiente tóxico e discriminatório, pautado por recorrentes comentários sexistas, machistas, xenófobos, entre outros”.

Para Vasco Ribeiro, diretor da Licenciatura em Ciências da Comunicação, a suposta conduta “consubstancia alegadamente um crime”. “Uma universidade tem de ser um espaço de liberdade e humanismo profundo pelo que os estudantes têm a liberdade de discordar”, refere.

A FEP considera que “é suficientemente clara a existência de matéria factual para instaurar o competente processo disciplinar ao professor (..) por estarem em causa, em abstracto, violação de deveres imputados aos trabalhadores (..), bem como outros que poderão ser apurados, sem prejuízo de eventual apuro em matéria criminal”.

Os alunos acusam o professor de admitir durante as aulas que entendia “os homens que assediam mulheres em autocarros e metros” e acusam-no de realizar “vários ataques racistas e xenófobos, dirigidos a pessoas de cor e a ciganos”.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda entregou duas perguntas na Assembleia da República questionando os Ministros Manuel Heitor e Mariana Vieira da Silva se vão tomar alguma iniciativa para averiguar tais factos.

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