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Produtos cosméticos podem ter até 90% de microplásticos

Há dados que apontam para a possibilidade de haver mais microplásticos do que plâncton no mar. Vários países europeus já começaram a proibir algumas formas de microplásticos presentes em cosméticos, como as esferas dos produtos esfoliantes.
Os períodos de adaptação para a completa remoção de microplásticos em produtos cosméticos na União Europeia são superiores aos de quaisquer outro setor, incluindo os dos dispositivos médicos, alertam ambientalistas.
Os períodos de adaptação para a completa remoção de microplásticos em produtos cosméticos na UE são superiores aos de quaisquer outro setor, incluindo os dos dispositivos médicos, alertam ambientalistas. Fotografia de A.Davey/Flickr.

Que os produtos de cosmética têm microplásticos, como aliás muitos outros produtos que utilizamos no dia a dia, já não é novidade, mas organizações não governamentais alertam para a possibilidade destes representarem 90% da composição de alguns produtos. 

Num documento a que a agência Lusa teve acesso lê-se que milhares de toneladas de microplásticos contidos em cosméticos acabam todos os anos a poluir o ambiente, nomeadamente os oceanos.

Vários países da União Europeia começaram a banir algumas formas de microplásticos presentes nos produtos cosméticos. Um comum exemplo são as pequenas esferas utilizadas nos esfoliantes e que podem ser substituídas por produtos naturais como a amêndoa moída ou até casca de coco. Mas devido ao seu baixo custo de produção, ainda há muitas empresas que continuam a preferir os microplásticos. 

As organizações ambientalistas alertam para a presença de plásticos em produtos tão banais como a pasta de dentes ou os champôs, “e a indústria europeia do setor, que envolve 80 mil milhões de euros por ano, não tem intenção nem forma de prevenir a poluição por produtos que contenham microplásticos”, alerta a Lusa.

Há alguns anos que a União Europeia considera que a poluição por plásticos é um grave perigo para a saúde pública, mas os ambientalistas alegam que “a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA na sigla original) foi pouco ambiciosa e que quando a lei entrar em vigor, em 2022, não vai haver grandes mudanças, além de que há períodos excessivos de adaptação”. 

“Os cosméticos não são produtos que salvam vidas, no entanto recebem períodos de adaptação mais generosos do que qualquer outro setor, incluindo os dos dispositivos médicos”, dizem as organizações. 

Os microplásticos estão a contaminar todo o planeta, sendo possível encontrá-los na neve do Ártico, a montanhas, rios e oceanos. Estes produtos não são somente encontrados nos aparelhos digestivos de animais que são capturados e comercializados para consumo humano, mas são também consumidos e inalados por todas as pessoas, “desconhecendo-se ainda os impactos que têm na saúde humana, embora sejam conhecidos, em laboratório, os efeitos na fertilidade, crescimento e na vida marinha”. 

A presença das formas mais pequenas de microplásticos nos aparelhos digestivos de peixes é uma das formas mais alarmantes desta nova realidade. Estes são do mesmo tamanho dos alimentos consumidos pelo zooplâncton (plâncton animal, que inclui organismos microscópicos e larvas de peixes e crustáceos), que sustenta a cadeia alimentar marinha e tem um papel importante na regulação do clima global.

Segundo o documento, algumas evidências científicas apontam para a possibilidade de existirem mais partículas de microplásticos do que zooplâncton em algumas águas.

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