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“Privatizações na Europa incentivam corrupção”, alerta o Transnational Institute

O TNI assinala “casos frequentes de nepotismo e conflitos de interesses emergentes na Grécia, Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido”. Segundo este instituto, “os argumentos apresentados pelos defensores das privatizações não resistem às evidências”.

No relatório intitulado A indústria da privatização na Europa, datado de 17 de fevereiro, o Transnational Institute (TNI) assinala que “a privatização de ativos públicos tornou-se numa condição central nos seus acordos da UE/Troika com os países devedores como a Grécia, Irlanda, Itália, Espanha e Portugal”, sublinhando que “um pequeno grupo de grandes empresas jurídicas e financeiras estão a ganhar milhões com a nova ronda de privatizações na Europa”.

Mediante um exame atento a um conjunto de privatizações a nível Europeu, o Transnational Institute (TNI) conclui que “um pequeno grupo de empresas jurídicas, financeiras e de contabilidade, muitas com base no Reino Unido, estão arrecadar grandes lucros com a nova onda de privatizações”.

No relatório é avançado o exemplo da empresa de consultadoria financeira NM Rothschild, os escritórios de advocacia do Reino Unido Freshfields Bruckhaus Deringer, Clifford Chance, Allen & Overy, e Norton Rose Fulbright, e as empresas de contabilidade com base em Londres PricewaterhouseCoopers e Ernst & Young.

O TNI assinala ainda que um grupo de grandes empresas chaves, tais como a Lazard, deram aconselhamento em processos de privatização, lucrando com os seus conselhos.

Segundo este instituto, “os argumentos apresentados pelos defensores das privatizações não resistem às evidências”. “Não só as privatizações não apresentaram a receita prometida como as empresas lucrativas estão a ser vendidas de forma consistente a preços subvalorizados. Entretanto, uma investigação recente promovida pelo FMI e por universidades europeias mostra que não há evidências de que as empresas privatizadas são mais eficientes do que as empresas estatais”, avança o TNI.

O relatório aponta também que, “apesar da retórica a favor da gestão privada, muitos daqueles que ganham concessões e compram ativos anteriormente privatizados são empresas estatais”. “Empresas estatais chinesas, em particular, tornaram-se jogadores dominantes na compra de empresas europeias de energia em Portugal, Grécia e Itália”, acrescenta.

O TNI alerta que “a privatização na Europa tem incentivado o crescimento da corrupção, com frequentes casos de nepotismo e conflitos de interesses emergentes na Grécia, Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido”.

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