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Primeiro-Ministro irlandês demite-se, impasse continua

Leo Varadkar anunciou a demissão do cargo mas mantém-se interinamente em funções. Os dois partidos da direita juraram ir para a oposição mas iniciaram conversações. O Sinn Féin insiste que o resultado eleitoral ditou mudança mas não consegue obter maioria de governo.
Leo Varadkar, primeiro-ministro irlandês durante uma sessão de campanha do seu partido. Janeiro de 2020.
Leo Varadkar, primeiro-ministro irlandês durante uma sessão de campanha do seu partido. Janeiro de 2020. Foto de LUSA/EPA/AIDAN CRAWLEY.

Leo Varadkar demitiu-se de taoiseach, o cargo de primeiro-ministro da República da Irlanda. Como esperado, esta quinta-feira, na primeira reunião do novo Dáil Éireann, a câmara baixa do parlamento, não se chegou a acordo sobre quem deveria ocupar este cargo. Na votação, o atual líder do governo ficou em terceiro com 36 votos, abaixo de Mary Lou McDonald, do Sinn Féin, com 45 e de Micheál Martin, do Fianna Fáil, com 41

Depois de ter apresentado a sua demissão num encontro com o presidente Michael Higgins, Varadkar continuará a ocupar o cargo interinamente.

As passadas eleições legislativas resultaram numa vitória do Sinn Féin. O partido de esquerda obteve mais votos do que os dois partidos de centro direita que tradicionalmente dominam a política irlandesa. Só que ficou aquém de conseguir uma maioria de governo.

A sessão parlamentar ficou agora suspensa até ao próximo dia 5 de março. Seguir-se-ão novas negociações em busca da tentativa de encontrar uma maioria de governo. Até agora estas tentativas foram goradas.

O Sinn Féin explorou a possibilidade de conseguir fazer um governo de esquerda com apoio de deputados independentes mas não foi bem sucedido. À esquerda, a coligação People Before Profit/Solidarity/Rise, que obteve cinco deputados, apoiou a nomeação de McDonald para primeira-ministra mas este apoio é condicionado à constituição de um governo à esquerda e não em aliança com a direita. Para os deputados mais à esquerda, a solução seria um governo minoritário em que Fianna Fáil e Fine Gael dessem “um passo atrás”.

Mary Lou McDonald convidou também os partidos tradicionais da direita para conversações mas estes recusam a possibilidade de fazer parte de um governo liderado pelo Sinn Féin.

À direita, o impasse também se mantém. Fin Gael e Fianna Fáil assumiram que iriam ser oposição e tinham vindo a rejeitar a possibilidade de fazer um governo em conjunto. Agora, o primeiro-ministro interino Leo Varadkar e Micheál Martin do Fianna Fáil concordaram encontrar-se para “conversações exploratórias”. Estes partidos temem que um governo conjunto aprofunde a crise do seu espaço político e abra ainda mais caminho ao crescimento do Sinn Féin que passaria a ser o grande partido da oposição. O Fine Gael também agendou uma reunião com os Verdes para a próxima semana. Em caso de acordo à direita, os 12 votos dos Verdes seriam decisivos para empossar um novo governo.

Caso todas estas movimentações falhem, continua em aberto a possibilidade de novas eleições para desfazer o impasse.

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