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Presos palestinianos entram no 35º dia de greve de fome

A repressão não consegue acabar com o protesto por condições dignas e que respeitem os direitos humanos nas prisões israelitas. Dia global de solidariedade está marcado para 25 de maio.
Abdul Razeq Farraj foi um dos ativistas solidários com a greve de fome detidos este sábado à noite pelas tropas de ocupação israelitas.

A greve de fome coletiva foi lançada a 17 de abril por um grupo de 1500 dos quase 6500 presos palestinianos nas cadeias israelitas. Os prisioneiros em luta reclamam direitos humanos elementares, como o fim da proibição das visitas familiares, do regime de isolamento em solitária e das prisões sem acusação nem julgamento, bem como o acesso a cuidados médicos.

Os 35 dias de greve de fome têm sido marcados pela repressão no interior das cadeias, com a contínua transferência dos detidos de prisão em prisão. Fora das prisões, as forças de ocupação israelita têm também reprimido as manifestações de solidariedade com os prisioneiros em luta. Esta semana, 48 palestinianos ligados ao movimento de solidariedade foram levados pelas tropas de suas casas.

Segundo informa a rede SamidounEntre os detidos este sábado à noite estão alguns líderes comunitários e ativistas dos direitos humanos como Nasser Abu Khdeir, um organizador da comunidade em Jerusalém que já passou 15 anos nas prisões israelitas e se tem destacado no apoio à luta dos prisioneiros. Também Eteraf Rimawi, diretor do Bisan Center for Research and Development, ativista pelos direitos humanos que esteve preso durante dois anos sem acusação e foi várias vezes detido depois disso, foi também preso esta semana. O mesmo aconteceu ao jornalista e escritor Abdul Razeq Farraj, que também administra os Comités de Trabalho Agrícola, uma organização de defesa da terra palestiniana que já venceu prémios das Nações Unidas. Farraj também conta com mais de 12 anos passados nas cadeias israelitas, a maior parte do tempo sem qualquer acusação.

Colono israelita matou manifestante e abalroou ambulância que vinha em socorro dos feridos

Nalguns casos, as tropas de ocupação abrem fogo sobre as manifestações de solidariedade, como a que ocorreu junto a um campo de refugiados em Ramallah na passada quarta-feira à noite. Em Jerusalém, o sit-in realizado em frente às instalações do Comité da Cruz Vermelha foi igualmente atacado pelas tropas de ocupação, que prenderam várias pessoas.

Estes ataques armados israelitas às manifestações de solidariedade com os prisioneiros palestinianos já fizeram dois mortos. O primeiro ataque vitimou Saba Obeid, de 22 anos, durante a marcha de 12 de maio em Nabi Saleh. O segundo ocorreu este sábado em Beita, perto de Nablus, quando um colono israelita abriu fogo sobre os manifestantes, matando Moataz Shamsa, de 23 anos, e ferindo o jornalista Majdi Eshtayyeh. O colono, que não só não foi detido nem acusado como ainda foi considerado como a vítima do incidente pelo ministro da Educação israelita, abalroou em seguida a ambulância chamada em socorro das vítimas, ferindo mais três pessoas.

25 de Maio: Dia global de solidariedade

À medida que o estado de saúde dos prisioneiros em greve de fome se degrada, a solidariedade internacional reforça o apelo para a mobilização. A organização CAPJPO-EuroPalestine lançou o apelo para a realização de um dia de solidariedade em todo o mundo na próxima quinta-feira, 25 de maio.

O objetivo da iniciativa é que as pessoas se juntem numa greve de fome de um dia em solidariedade “com a resistência heróica dos presos palestinianos em greve de fome”. Está já confirmadas iniciativas para dia 25 em Paris, Washington, Londres, Sydney, Dublin, Lyon, Nimes e Albertville.

As ações de solidariedade têm acontecido em várias cidades, como as que esta semana assinalaram o primeiro mês da greve de fome em Saint-Denis, Bruxelas, Milão, Sevilha, Granada, Cádis, Nova Iorque, Chicago, Buenos Aires, Manila, Belfast, Glasgow, Berlim, Cagliari, Copenhaga, entre outras.

 

 

 

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