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Presidente de hidroelétrica condenado pelo assassinato de Berta Cáceres

Empresário pode cumprir pena superior a 20 anos de prisão pela autoria moral do assassinato da ambientalista hondurenha em 2016.
Berta Cáceres.
Berta Cáceres. Foto Goldman Environmental.

Por unanimidade, os juízes de um tribunal das Honduras decidiram condenar o presidente executivo da empresa hidroelétrica Desarrollos Energéticos Sociedad Anónima (DESA), Roberto Castillo Mejía, enquanto autor moral do assassinato da líder ambientalista e indígena Berta Cáceres a 2 de março de 2016. A pena será conhecida a 3 de agosto.

Castillo Mejía liderava a construção de uma barragem no território da etnia Lenca e o projeto Agua Zarca, ao qual se opunha Berta Cáceres enquanto líder do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras (Copinh). O tribunal deu como provado que o presidente da empresa forneceu a logística e os recursos para assassinar a ambientalista. Berta Cáceres lutava contra este projeto que iria destruir bosques e territórios indígenas.

Para o Copinh, citado pelo Centro Latinoamericano de Análise Estratégica, a sentença é “uma vitória dos povos do mundo que acompanharam este processo, da comunidade solidária e dos direitos humanos”. Por outro lado, considera que a condenação significa que “as estruturas de poder não conseguiram neste caso corromper o sistema de justiça, e que a estrutura crimosa da família Átala Zablah, da qual o condenado é um instrumento, não atingiu os seus objetivos”, afirmaram num comunicado lido por Bertha Zúñiga, uma das filhas da ambientalista.

Em 2018 foram condenados a penas até 50 anos de prisão sete autores materiais do assassinato de Berta Cáceres: os três mercenários, o chefe da área social da empresa, o ex-chefe de segurança, um major das forças armadas hondurenhas e o responsável pelo reconhecimento da casa da ativista.

O advogado da acusação privada, Victor Fernández, defende ainda que a condenação deve implicar a reversão da concessão do projeto hidroelétrico Agua Zarca e a condenação de todos os autores morais, incluindo a família Atala Zablah, dona da empresa, que considera serem os verdadeiros responsáveis pela ordem do assassinato.

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