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Presidente da República antevê Estado de Emergência "limitado"

Em entrevista à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que é “desaconselhável voltar a um estado de emergência como o de abril e maio” e descartou o confinamento total.
Marcelo Rebelo de Sousa
Entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa à RTP

Numa entrevista à RTP, o Presidente da República falou sobre o que está em causa neste Estado de Emergência proposto pelo Governo e defendeu que ele será “diferente” dos que foram sucessivamente decretados até maio. “Diferente no sentido de ser muito limitado”, focado em “efeitos preventivos” e que não será “muito extenso”.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou algumas diferenças entre o momento atual e o do confinamento inicial. Por um lado, “há oito meses a economia estava bem. Agora a economia não está bem”. Além disso, “a capacidade de resposta das estruturas de saúde é muito superior ao que era há oito meses”, “não só a capacidade é maior como se sabe lidar com a pandemia mais do que se sabia na altura e a eficácia no tratamento, apesar da pressão, é maior do que era na altura”, apontou.

Por outro lado, na primeira declaração do Estado de Emergência "havia uma unidade" entre responsáveis políticos em Portugal em relação ao combate à covid-19, o que hoje já não acontece.

"Se perguntar neste momento por um confinamento, já não digo total, mas um confinamento muito vasto, a resposta é não. A resposta é sim a um estado de emergência limitado: sim, com quem diga não e quem se abstenha, mas sim de uma maioria clara", disse o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "é uma maioria que está nos dois terços ou acima dos dois terços" em defesa desse "estado de emergência limitado", e acrescentou que “se isto não é uma maioria clara, uma maioria de revisão constitucional, não sei o que é uma maioria clara".

Presidente da República reconhece dificuldades na comunicação sobre a pandemia

“A comunicação é um ponto em que eu acho que nem sempre estivemos bem”, admitiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre as diárias conferências de imprensa das autoridades de saúde, considerou que “começaram por ser muito boas”. “Explicava-se com indicações muito claras, com regras muito evidentes. Depois a situação complicou-se”, afirmou.

“Tenho uma consideração muito grande por quem tem feito as conferências de imprensa. É um esforço brutal. Tem um mérito enorme. Mas, como tudo o que se repete muito tempo, cansa”, vincou o Presidente da República.

Ao longo do dia, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu todos os partidos com assento parlamentar. Catarina Martins afirmou que o Bloco analisará com cuidado o texto que for proposto e sublinhou a importância de reforçar o Serviço Nacional de Saúde, incluindo com a utilização dos recursos do setor privado e social da saúde, através da requisição civil.

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