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Presidente checo afirma que refugiados são protagonistas de uma "invasão organizada"

O presidente da República Checa, Milos Zeman, afirmou que os refugiados que estão a chegar à Europa para fugir da guerra e da pobreza estão a protagonizar uma "invasão organizada" uma vez que esta fuga não é “espontânea”.
A República Checa foi um dos países rejeitou a proposta de quotas da UE para recolocar os refugiados.

Estas afirmações de Milos Zeman foram proferidas durante o discurso de Natal e, na sua intervenção, o Presidente deixou a seguinte interrogação: “porque é que estes homens vindos, na sua maioria da Síria e do Iraque, não pegam em armas e lutam pela liberdade dos seus países contra o Estado Islâmico?”

só devemos ter “compaixão” e “solidariedade” com os idosos, com os doentes e com as crianças

Para Milos Zeman, de 71 anos, só devemos ter “compaixão” e “solidariedade” com os idosos, com os doentes e com as crianças e estes “migrantes ilegais” são, na sua maioria, jovens, saudáveis e não têm família.

Na sua mensagem, o Presidente checo disse ainda que, por vezes, sente-se como uma Cassandra que "adverte contra a entrada de um cavalo de Tróia na cidade, numa referência à mitologia grega que levou a que a filha dos reis de Tróia não tivesse sido ouvida levando a  que os gregos entrassem na cidade escondidos num enorme cavalo de madeira.”

A posição do Presidente checo sobre a crise dos refugiados já é conhecida, uma vez que em novembro Zeman esteve presente numa manifestação contra o Islão que decorreu em Praga, capital do seu país. Ao seu lado estiveram vários políticos de extrema-direita.

Em outubro, o alto comissário das Nações Unidos para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, já tinha denunciado a atuação do país no que toca ao acolhimento de refugiados, afirmando que as violações dos Direitos Humanos “aparentam ser uma parte integrante da política do Governo checo, concebida para levar a que os migrantes e refugiados não entrem ou permaneçam no país”.

A República Checa é o único país cuja legislação permite que os imigrantes e refugiados fiquem detidos entre 40 e 90 dias, consoante as diferentes situações. E  à chegada ao país são revistados para lhes serem retirados nove euros, o valor da taxa cobrada para a sua entrada no país.

 Milos Zerman é conhecido por fazer este tipo de afirmações marcadamente polémicas e ofensivas.

No Verão passado, durante as negociações entre o governo de Atenas e as instituições europeias e o FMI por causa da dívida deste país, o chefe de Estado checo afirmou que a "República Checa entraria no euro no dia em que a Grécia abandonasse união monetária".

Refira-se que a República Checa e Eslováquia, que entraram para a União Europeia em 2004, recusaram a proposta europeia de quotas para recolocar os refugiados.

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