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PPP: Hospital de Loures bloqueia consultas para evitar multas

De acordo com o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Hospital Beatriz Ângelo está a bloquear consultas de seguimento dos pacientes para cumprir os rácios de primeiras consultas acordadas com o Estado e evitar multas. E assim o Hospital também ganha porque as primeiras consultas são melhor pagas.
Foto de Hipersyl/wikicommons

Os médicos do Hospital de Loures, uma Parceria Público-Privada, estarão a ser impedidos de voltar a ver pacientes quando estão por cumprir os rácios de primeiras consultas acordado com o ministério da Saúde.

Esta denúncia foi feita pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul que alerta que o objetivo é evitar multas do Estado. João Proença, dirigente sindical dos médicos, explicou à Lusa como isto está a suceder: “por exemplo, eu tenho um doente em maio e quero marcar uma observação para ver a evidência médica do tratamento no mês seguinte, não o posso fazer, porque estão bloqueadas as segundas consultas. Só posso fazer primeiras consultas por causa das estatísticas. E as primeiras consultas não tem o mesmo valor que as segundas. São mais caras. O que conta aqui é a otimização do lucro e não o doente em si. E os médicos não podem fazer nada”.

No comunicado do sindicato, esclarece-se que esta limitação é “uma manobra na qual a Administração da PPP, por motivos económicos, impõe a realização de primeiras consultas aos médicos, desrespeitando os critérios clínicos, ao contrário do que aconselhariam os bons cuidados em saúde”.

Por se estar a violar normas clínicas, o sindicato pede que se faça uma auditoria. Para João Proença esta situação coloca “em causa a qualidade dos cuidados de saúde e a segurança dos utentes, uma vez que o intervalo entre consultas pode tornar-se excessivamente longo”. O dirigente sindical esclarece que só agora avançou com a queixa contra o Hospital do grupo Luz Saúde porque só agora conseguiu “fundamentação clara e óbvia e necessária para a denúncia sem que seja criado um problema que não seja verdadeiro”. Apesar desta ser “uma prática corrente deste hospital”, Proença explica que “as pessoas muito raramente fazem denúncias fundamentadas” mas “desta vez, conseguimos analisar um processo fundamentado para tornar a denuncia pública”.

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