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Portugueses da raia cada vez mais procuram casas do lado espanhol

A falta de oferta e os elevados preços estão a levar os residentes das zonas raianas a preferir morar do outro lado da fronteira e vir trabalhar em território português.
Foto de Paulete Matos

Viver em Espanha pode chegar a custar metade dos valores praticados em Portugal, de acordo com o jornal Expresso. A falta de oferta e a inflação de preços no mercado imobiliário nacional tem obrigado os portugueses que trabalham nas zonas raianas a procurarem casa no lado espanhol.

Por exemplo, na fronteira algarvia o arrendamento pode atingir os 600 euros e os portugueses cada vez mais têm procurado habitação do outro lado do Guadiana, por encontrarem preços mais baixos. Joana Santos, que paga 400 euros de renda, atravessa “todos os dias” a ponte de Ayamonte para se deslocar à loja que possui em Vila Real de Santo António. É uma das centenas de cidadãos que escolheram a província andaluza de Huelva para viver.

Para viver em Espanha e trabalhar em Portugal basta estar registado no concelho espanhol e ter um registo fiscal no caso de o período de residência ultrapassar os 183 dias.

Para além do preço da habitação, gasta-se menos em produtos alimentares ou em despesas com combustível e automóvel, já que os “carros custam metade do preço”, refere Pedro Lopes, mecânico de Vila Real de Santo António. Entre os exemplos encontrados pelo Expresso estão três professores que decidiram alugar uma casa em Ayamonte, enquanto dão aulas do lado português.

Mais acima, em Fuentes de Oñoro e Ciudad Rodrigo também surgem ofertas de preços baixos no setor da habitação, que beneficiam os habitantes da zona de Almeida e Vilar Formoso. Uma vivenda na aldeia de La Ribera, com 170 m2 construídos, pode custar 157 mil euros, enquanto em Cabreira, Almeida, custa 250 mil euros.

Ana Fantasia, professora e antiga agente de viagens, explica que a “melhor qualidade de construção” é um fator determinante para a decisão, já que as casas contam “com aquecimento central, outras comodidades e mais baratas”.

António Reinas, da Rádio Fronteira, afirma que cada vez há “mais portugueses” a viver em Fuentes de Oñoro, na província de Salamanca, sobretudo pessoas de Almeida ou Pinhel.

A norte, na província galega de Ourense, há habitações por 44 mil euros, como é o caso de A Veiga, no concelho de Verín. Enquanto no lado português, em Sanfins, uma habitação semelhante pode chegar aos 120 mil euros.

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