Portugal vai acolher até 10 migrantes do Open Arms

15 de August 2019 - 18:47

Governo português anunciou estar disposto a receber parte dos migrantes a bordo do Open Arms, juntando-se a Espanha, França, Alemanha, Luxemburgo e Roménia. Matteo Salvini tentou reverter a autorização dada por um tribunal para o navio atracar em Itália.

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O ator Richard Gere em visita a semana passada aos migrantes apeados no Open Arms. Foto: elperiodico_cas/Open Arms/Instagram.
O ator Richard Gere em visita a semana passada aos migrantes apeados no Open Arms. Foto: elperiodico_cas/Open Arms/Instagram.

Até 10 dos cerca de 150 migrantes a bordo do Open Arms serão recebidos por Portugal, anunciou o Ministério da Administração Interna (MAI) em comunicado desta quinta-feira citado pela Agência Lusa. O navio de resgate da organização humanitária espanhola esteve duas semanas parado no mar ao largo de Lampedusa, impedido de acostar, até um tribunal italiano ter levantado ontem, quarta-feira, a proibição de acostar imposta por Matteo Salvini.

Segundo o comunicado, "Portugal, Espanha, França, Alemanha e Luxemburgo são os países que manifestaram esta disponibilidade para receber o grupo de pessoas, num gesto de solidariedade humanitária e de desejo comum de fornecer soluções europeias para a questão da migração e das tragédias humanas que se verificam no Mediterrâneo”, lê-se no texto. Além destes países, também a Roménia se disponibilizou para acolher alguns dos migrantes.

Na falta de uma política europeia coordenada para acolher os migrantes que todos os dias arriscam a vida no Mediterrâneo tentando chegar à Europa, e perante a política de portas fechadas de vários governos de direita europeus, nomeadamente Itália e Malta, a solução para os casos deste tipo, que vêm crescendo, tem passado pela decisão unilateral de alguns países da UE de abrir portas.

Matteo Salvini, em resposta à decisão judicial de deixar o Open Arms atracar em Itália, formulou na madrugada desta quinta-feira novo despacho para voltar a barrar o navio, mas a ministra da defesa italiana, Elisabetta Trenta, recusou assiná-lo, sinal das crescentes divisões entre os parceiros da coligação que governa o país, a Liga Norte de Salvini e o Movimento 5 Estrelas. Há uma semana, Salvini tentou fazer cair o governo através com uma moção de censura.

Com o caso do Open Arms em vias de se resolver, há de momento um outro navio, o Ocean Viking, operado pelos Médicos Sem Fronteiras e a SOS Mediterrâneo, parado no mar à espera de autorização para acostar, com 356 migrantes a bordo.

Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), entre janeiro e julho deste ano quase 40 mil migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mediterrâneo, menos 34% que no período homólogo em 2018. A maior parte chegou à Grécia (cerca de 19 mil), Espanha (13,5 mil), Itália (4 mil), Malta (1500) e Chipre (1200). Cerca de 840 pessoas já morreram este ano na travessia, segundo a OIM.