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“Portugal tem de fazer o caminho para a restruturação da dívida”

Catarina Martins apresentou as conclusões da Mesa Nacional do Bloco e afirmou que o maior risco para o país continua a ser a dívida pública.
Para Catarina Martins, a situação internacional colocará muitos desafios a Portugal no próximo ano. Foto de Nuno Fox/Lusa
Para Catarina Martins, a situação internacional colocará muitos desafios a Portugal no próximo ano. Foto de Nuno Fox/Lusa

"O Bloco não tem dúvidas: se queremos preparar Portugal para os choques externos que aí vêm, se queremos proteger a nossa economia e o nosso emprego, questões como a reestruturação da dívida têm que começar a ser discutidas de uma forma mais intensa e que, como sabem, não constam da posição conjunta" com o Partido Socialista, avisou Catarina Martins na conferência de imprensa que se seguiu à reunião da direção do partido. “Portugal tem de fazer o caminho para a restruturação da dívida”, sublinhou, apontando-a como o maior risco para o país no próximo período.

A coordenadora do Bloco manifestou vontade de ver cumpridas todas as medidas que constam do acordo com o PS para a viabilização do governo, mas não deixará de colocar mais temas em cima da mesa, pois "a vida não fica congelada no momento da assinatura do acordo".

"O Bloco de Esquerda nunca ficará confortavelmente a dizer que tudo o que vale foi o que foi assinado há um ano à medida que o mundo e o país também avançam", garantiu Catarina Martins.

10 de dezembro: comício nacional pela integração dos precários ao serviço do Estado

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda reuniu neste sábado, 26 de novembro e aprovou uma resolução política onde analisa a situação política a nível nacional e internacional.

Na conferência de imprensa, Catarina Martins referiu por um lado a crise internacional expressa na vitória de muitos movimentos de extrema direita, conservadores e xenófobos e racistas, dando como exemplo preocupante a vitória de Donald Trump nas recentes eleições presidenciais norte-americanas. E referiu ainda os riscos das próximas eleições presidenciais na Áustria e a disputa eleitoral em França num cenário que na Europa já temos governos autoritários como na Hungria e na Polónia.

Além destes aspectos, Catarina referiu-se ainda à instabilidade do sistema financeiro europeu e internacional, tendo chamado a atenção para o referendo do próximo domingo em Itália que pode significar a desagregação da União Europeia.

Na resolução política aprovada, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda definiu como “prioridades imediatas” de ação do partido a “luta dos trabalhadores, defesa dos serviços públicos, combate à precariedade, à xenofobia e ao racismo” No próximo dia 10 de dezembro, o Bloco mobiliza-se para um comício nacional “onde dará a palavra a precários e precárias de diferentes setores da administração pública”. O comício tem lugar às 15h na Casa do Comércio, em Lisboa.

Na preparação das eleições autárquicas, em que o objetivo bloquista é o de reforçar a sua representação a nível nacional, a direção política do partido definiu o fim de janeiro como a data limite para as estruturas concelhias prepararem as candidaturas, para permitir “um debate programático amplamente participado que dará corpo à Conferência Nacional Autárquica a realizar a 18 de fevereiro de 2017”.

Orçamento terá voto favorável do Bloco

Sobre as questões relacionadas com o Orçamento do Estado para 2017, a dirigente do Bloco disse que "este orçamento não é seguramente a resposta a todos os problemas do país", nem aquele que "o Bloco faria", mas "é um orçamento que responde aos acordos para parar o empobrecimento do país.

Por isso, "a Mesa Nacional considera que o Bloco deve votar favoravelmente o Orçamento do Estado, na expectativa de que estas últimas votações que faltam na especialidade serão no caminho de aprofundar a recuperação de rendimentos que foi iniciada com os acordos feitos há um ano", prosseguiu Catarina, acrescentando que “o país está diferente” porque hoje discutimos o aumento das pensões (e não o seu corte) ou  como deve funcionar a escola pública (e não a sua privatização).

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