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Portugal: Entre 2011-2014 uma em cada quatro crianças era pobre

Estudo coordenado por Carlos Farinha Rodrigues sobre desigualdades em Portugal revela que as crianças foram o grupo mais afetado pela austeridade durante os anos da troika e do governo de direita.
Impressão de mãos de crianças num papel, foto de Public Domain Pictures.

Estudo mostra que em Portugal, foram as crianças quem mais mais foi afetado pelo corte nas prestações sociais e pelo desemprego dos pais. O nível de pobreza infantil vinha a descer desde 2009, mas entre 2011 e 2014 o valor voltou a subir e passou a atingir um quarto das crianças.

Nesse período, as famílias perderam em média 116 euros por mês de rendimento disponível e 2.02 milhões de pessoas em Portugal passaram a viver na pobreza. Entre 2011 e 2013 o número de crianças até aos 17 anos pobres cresceu e atingiu até um máximo de 25.6%. Em 2014 baixou ligeiramente para 24.8%. O aumento da pobreza infantil durante a crise é uma das conclusões do estudo “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: Consequências Sociais do Programa de Ajustamento”, coordenado por Carlos Farinha Rodrigues, professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Outra conclusão do estudo é que entre 2009 e 2012, um terço de população de Portugal era pobre. Para muitas pessoas, a situação foi transitória: 12.6% estiveram em situação de pobreza ao longo de um ano. Porém, 8.2% da população não saiu do patamar de pobreza ao longo dos quatro anos em análise. Outro resultado preocupante para os autores do estudo foi que "cerca de um quarto dos indivíduos pobres em 2012 se encontravam pela primeira vez nessa situação, ou seja, não tinham sido pobres entre 2009 e 2011". Ou seja, a crise acentuou a pobreza, criando uma “vaga de novos pobres provenientes de outros grupos sociais usualmente não afetados pela incidência de pobreza"

Adicionalmente, o corte nos apoios sociais fez com que quem mais fosse afetado pela crise fosse quem já era mais vulnerável, isto é, os 10% mais pobres perderam 25% do seu rendimento, enquanto que a classe média perdeu entre 10 e 16% dos rendimentos. Os mais ricos, pelo contrário, tiveram quebras de apenas 13% nos rendimentos entre 2009 e 2014.

Por último, os jovens também foram vitimados pelas decisões políticas do governo de Passos Coelho e de Paulo Portas: foram o grupo mais afetado pelo desemprego, viram os seus rendimentos cair 29%, em relação ao período anterior a 2011, sendo que foram os licenciados que mais rendimento perderam, 20%.

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