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“Portugal é um país independente e tem de valer-se dessa independência”

No primeiro debate destas presidenciais, que opôs Marisa Matias a Sampaio da Nóvoa, a candidata esclareceu que a Presidência da República “não é uma questão de independência” mas “de saber quais os valores com que nos regemos”, e sublinhou que o Tratado Orçamental só pode existir se não se sobrepuser à Constituição da República.
Foto de Paulete Matos

No primeiro debate entre candidatos às próximas eleições presidenciais, que decorreu neste dia de ano novo, Marisa Matias começou por se distinguir de Sampaio da Nóvoa logo na primeira questão que lhe foi colocada, referente à solução encontrada para o BANIF, tendo afirmado que “não é uma boa solução porque continuamos a ir buscar o dinheiro aos contribuintes e é fundamental encontrar soluções que, de uma vez por todas, retirem o peso dos contribuintes para alimentar a banca e esta loucura que têm sido os desvarios da banca”.

Afirmou que “não teria apoiado esta solução porque as vidas dos portugueses estão primeiro, e o país está primeiro”, e “enquanto continuarmos a afundar dinheiro na banca desta forma nós não podemos salvar o serviço nacional de saúde”. Disse que “esperava que, quer o Presidente da República quer o Governo, tivessem retirado a confiança ao Governador do Banco de Portugal”, tendo em conta o que se passou com o BES e agora com o BANIF, tendo apontado “que estas situações não vão parar enquanto não houver um controlo real da banca”. 

É fundamental encontrar soluções que, de uma vez por todas, retirem o peso dos contribuintes para alimentar a banca e esta loucura que têm sido os desvarios da banca

Enquanto Presidente da República “não darei a minha confiança ao Governador do Banco de Portugal”, porque “não está a fazer o seu papel de vigilância, de supervisão, não está a proteger os bolsos dos contribuintes”, e por ter “ignorado as necessidades do povo em Portugal” quando pactuou com o anterior Governo para que não se falasse sobre o BANIF durante as eleições. 

Para Marisa Matias “esta é uma questão de regime, as pessoas não podem perder o emprego, estar sistematicamente a pagar os seus impostos,  a usar o seu trabalho, para depois verem o dinheiro a ser entregue à banca sem resolver nenhum dos problemas”. Segundo a candidata existem “capacidades claras de fazer de maneira diferente”, e destacou que “na União Europeia nunca houve modelos de resolução aplicados a outros países como aqueles que se aplicaram em Portugal”, em que se vai sempre primeiro aos contribuintes e não aos credores  ou aos grandes acionistas. 

Sublinhou que o Presidente da República “está numa posição por excelência de poder ser um árbitro nessas matérias”, e defendeu que têm de existir posições muitos claras em relação ao sistema financeiro, porque “os interesses, os amiguismos, os lucros da banca, têm posto em causa aquilo que é a qualidade de vida dos portugueses, o serviço nacional de saúde, a escola pública de qualidade” e tantas outras questões fundamentais, e tudo isso “porque andamos a pagar, sistematicamente, para a banca e para o sistema financeiro”, posição que assinalou como diferenciadora em relação ao candidato Sampaio da Nóvoa.

Precisamos de uma Chefe de Estado que se levante e defenda o povo português, o país e a sua soberania

Questionada sobre se a Constituição é compatível com as regras do euro e o tratado orçamental, Marisa Matias afirmou que sim desde que saibamos que “quando não é compatível o que se sobrepõe é a Constituição”, razão pela qual defendeu “uma clareza na relação com as instituições europeias e nas relações com o mundo”. Para Marisa, “a Constituição deve sobrepor-se ao Tratado Orçamental se ele não permitir garantir a Constituição”, porque se assim não fosse “era a mesma coisa que dizer que não teremos serviço nacional de saúde nos próximos vinte anos porque [com o Tratado Orçamental] é austeridade para os próximos vinte anos”. 

A candidata concluiu a sua intervenção alertando para o facto de termos “de acabar de uma vez por todas com esta mentira, com esta farsa que tem sido criada desta contradição permanente, de que nós não podemos fazer nada”. “Precisamos de uma Chefe de Estado, tal como um Governo, que se levante e defenda o povo português, o país e a sua soberania”.

Veja o debate na íntegra:

 
Debate com Sampaio da Nóvoa

O primeiro debate destas presidenciais, com Sampaio da Nóvoa, esta noite na RTP.#presidenciais2016 #marisa2016

Posted by Marisa Matias on Friday, 1 January 2016

Termos relacionados Marisa 2016, Política
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