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Portugal é o 3º país europeu que mais pesca tubarão e raia

Ambientalistas alertam que Portugal pesca 1,5 milhões de exemplares por ano destas espécies ameaçadas.
Foto de Mathias Appel | Flickr

A Associação Natureza Portugal (ANP), organização que está associada à World Wide Fund for Nature (WWF), alerta que Portugal captura tubarão e raia em excesso, cerca de 1,5 milhões de exemplares por ano, relata a agência Lusa.

Esta informação foi divulgada no relatório da primeira avaliação sobre estas espécies ameaçadas denominado “Tubarões e Raias: Guardiões do oceano em crise”, com o apoio da Fundação Oceano Azul, e revela que Portugal é o 3º país europeu e o 12º no mundo que mais pesca tubarão e raia.

Em comunicado, as organizações propõem a criação de um plano de ação nacional para a gestão e conservação de tubarões e raias. 

De acordo com o relatório, o primeiro estudo sobre o estado das populações destas espécies, sobre a sua pesca, comércio e políticas, “a sobrepesca e uma proteção inadequada estão a ameaçar as 117 espécies de tubarões, raias e quimeras (peixes e cartilagíneos) existentes no mar português, apesar destas espécies-chave serem essenciais à saúde e bem-estar do oceano”.

Portugal também é um dos países que mais importações e exportações de carne de tubarão e raia faz (8º e 6º a nível mundial), por isso a ANP/WWF apela aos consumidores para terem um “papel ativo” e que evitem comer raia ou tubarão até que a pesca seja comprovadamente sustentável.

A organização ambientalista refere que “em Portugal, os tubarões e raias estão a ser pescados de forma insustentável. Um quarto de todos os desembarques (em peso) da frota portuguesa nos últimos 30 anos, corresponde a espécies que atualmente estão ameaçadas, três quartos das espécies pescadas têm as suas populações em declínio e sete espécies historicamente pescadas estão agora criticamente em perigo, a um passo da extinção”.

Ângela Morgado, diretora executiva da ANP/WWF, citada na nota de imprensa, afirma que “o Governo português deve tomar a liderança europeia nesta questão, avançando para uma pesca de baixo impacto e seletiva, e tornando-se o primeiro Estado-membro a criar um Plano de Ação Nacional para estas espécies”.

Por sua vez, a Fundação Azul, também citada no comunicado, sublinha que o relatório torna visível “a forma insustentável como gerimos o oceano e colocamos em risco, no mar português, espécies tão importantes para o funcionamento dos sistemas marinhos como os tubarões e as raias”.

Os ambientalistas defendem a adoção de medidas que minimizem as principais ameaças e recomendam que se melhorem os dados científicos da pesca, bem como se proíba a captura, comércio e o consumo de espécies ameaçadas.

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