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Porto: Alterações no Museu do Romântico geram protesto

O Museu do Romântico apresentava a decoração de uma casa burguesa oitocentista. Agora mudou de nome e foi desprovido de todos os objetos. “Ainda bem que a cidade reage com surpresa a este tipo de situação”, afirma Sérgio Aires, candidato do Bloco à Câmara do Porto.
Alterações no Museu do Romântico geram protesto. Fotografia: petição

A Quinta da Macieirinha situa-se na Rua de Entre Quintas, no Porto, perto do Palácio de Cristal. Foi aqui que viveu exilado Carlos Alberto, rei do Piemonte e da Sardenha, falecido em 1849. Há quase cinquenta anos que esta quinta alberga o Museu do Romântico, apresentando a reconstituição do interior de uma casa da burguesia abastada. 

Este espaço foi agora alvo de uma reconfiguração, passando a designar-se Extensão do Romantismo do Museu da Cidade. Foi alvo também de uma profunda mudança no seu interior, sendo expurgado de todo o conteúdo que a integrava, como móveis, cadeiras, loiças ou carpetes. Desconhece-se o paradeiro destes objetos. 

“Importa lembrar que a destruição deste espaço começou num outro momento, quando o que foi, até 2013, o Solar do Vinho do Porto - um espaço aberto a qualquer pessoa da cidade - foi concessionado por Rui Moreira, em 2014, para se transformar num restaurante de luxo só para ricos e turistas”, recorda Sérgio Aires, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto, acrescentando que “o Bloco criticou essa decisão, por entender que estes equipamentos em espaços privilegiados da cidade devem ser públicos e abertos ao povo, defendendo que fosse encontrada uma solução para o Solar relacionada com o vinho do Porto, em articulação com a história da cidade e o Museu Romântico. Também aqui poderia haver transformação, mas numa lógica totalmente diferente da que foi desenvolvida”. 

A reconfiguração efetuada motivou a indignação de diversas pessoas que se mobilizaram numa petição que já conta com mais de 1.400 assinaturas. 

“Ainda bem que a cidade reage com surpresa a este tipo de situação. É sinal de que, apesar das sucessivas decisões de Rui Moreira sobre equipamentos e património que são de todas e de todos, ainda esperamos que o desenho da cidade se faça de forma democrática e transparente”, afirma Sérgio Aires.  

“O Bloco alerta desde sempre para opções que, como esta, ignoram a vontade popular e são desenvolvidas com uma profunda arrogância, afastando as classes populares e elitizando os equipamentos. Este é um exemplo que se soma a outros e que replica o mesmo método de desprezo e arrogância, como o a intenção de converter o Abrigo dos Pequeninos em Galeria Municipal, quando o que a população reivindica é que se retome um equipamento social naquele lugar, que ficou sem o infantário e sem o lar de idosos”, conclui o candidato bloquista.  

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