“Portugal, que outrora exportou mão-de-obra barata para todo o mundo, dá-se agora ao luxo de exportar investigadores”, clamam os 34 investigadores do IPMA, que assumem que acreditaram neste governo “que até chegou a produzir legislação para os integrar na carreira que é a sua”, mas que agora diz que “ainda está a ponderar”.
No artigo divulgado no “Público”, os investigadores expõem a atitude profundamente discriminatória do governo, ao referirem que todos os trabalhadores precários do IPMA de outras carreiras foram integrados, “enquanto nem um único investigador, nas mesmas condições, viu regularizada a sua situação”.
No texto, explicam que o IPMA “assegura a implementação de estratégias de defesa e proteção de dois temas que estão no topo da agenda mundial: o Mar e a Atmosfera” e lembram que o governo “grita o seu empenho no apoio à investigação científica nestes domínios”. Salientam ainda que o executivo “chegou mesmo” a estabelecer a norma para a integração destes investigadores precários... “só que não a aplicou”.
Os investigadores, que criticam também o Conselho Diretivo do instituto, referem ainda que “51% dos membros do Conselho Científico do IPMA continuam com vínculo precário”, explicam que isso provoca “perda de apoios financeiros, uma vez que estes projetos são apoiados por fundos nacionais e europeus, que asseguram o pagamento dos vencimentos”.
A concluir, investigadoras e investigadores acusam: “anos de estudos e trabalho de excelência sem saber como vai ser o dia de amanhã... até ao irrecusável apelo de outros trabalhos, fora do País, para uns, a procura de alternativas, para outros”.