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Poluição sonora: Lisboa é a segunda pior capital na Europa

O relatório da Agência Europeia do Ambiente mostrou que morrem 12 mil pessoas por ano na Europa devido à poluição sonora. A Zero sintetizou os dados relativos a Portugal e concluiu que Lisboa é a segunda pior capital europeia nesta matéria e que em Portugal a poluição sonora está a causar problemas de leitura nas crianças.
Vista aérea de Lisboa.
Vista aérea de Lisboa. Foto de António ML Cabral/wikicommons.

Em comunicado publicado este domingo, a associação ambientalista Zero compilou os dados relativos a Portugal do relatório da Agência Europeia do Ambiente, “Ruído Ambiental na Europa. 2020”.

 

 

Conhecido esta quinta-feira, este relatório mostrava que um quinto dos habitantes da União Europeia está sujeito a poluição sonora e que, na região, há 12 mil mortes prematuras devido à “exposição ao ruído ambiental”.

O comunicado da Zero agora emitido dá agora uma imagem do que é dito sobre Portugal. Segundo a associação, a AEA considera que Lisboa é, a seguir ao Luxemburgo, a segunda pior capital europeia nesta matéria. O problema é o ruído do tráfego aéreo. Na média ponderada de 24 horas, conclui-se que 15% da população lisboeta está sujeita a níveis superiores a 55 decibéis. Na média do ruído noturno há 10% que estão expostos a níveis de mais de 50 decibéis. No conjunto das áreas urbanas da grande Lisboa e do grande Porto, há 7% das pessoas sujeitas a ruídos de mais de 50 decibéis.

As consequências disto, diz a Zero, são “verdadeiramente impressionantes e dramáticas”. Uma delas é que Portugal é o país da União Europeia com percentagem mais elevada de crianças entre os 7 e os 17 anos com problemas de leitura nas áreas afetadas por tráfego aéreo (6,8%). São 7500 crianças nesta situação.

A associação conclui que “os dados apresentados tornam inequívoca a necessidade de urgentemente garantir a exclusão absoluta de voos noturnos, tal como previsto na Lei do Ruído, e sem quaisquer exceções após o final das obras em curso” que propõe uma discussão estratégica sobre o futuro do aeroporto de Lisboa, que se reduza desde já o tráfego e que se inviabilize “contrato de permanência desta infraestrutura até ao ano de 2062”. Destaca-se ainda que o “aeroporto Humberto Delgado não tem plano de ação para o ruído atualizado (tem sido sucessivamente chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente) e é tecnicamente impossível, com base nas medições feitas pela ZERO e presentes também nos mapas de ruído, garantir o cumprimento da legislação sem uma enorme redução do tráfego atual”.

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