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Polónia: governo persegue historiador

Autoridades querem retirar condecoração atribuída em 1996 ao professor universitário Jan Gross, acusando-o de atitudes antipatrióticas e sinalizando que pretendem impor uma “História oficial” ao gosto da extrema-direita.
Jan Tomasz Gross
Jan Tomasz Gross

O governo polaco ameaça retirar ao historiador Jan Tomasz Gross a Cruz de Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito, que lhe foi atribuída em 1996, acusando-o de ter atitudes antipatrióticas. Gross nasceu na Polónia, mas naturalizou-se nos EUA, para onde emigrou após ser preso por participar nos protestos antigovernamentais de 1969.

Filho de pai judeu e de mãe cristã, ambos ativistas antinazis, o historiador é hoje professor da Universidade de Princeton e é mundialmente famoso pela vasta obra de investigação sobre o Holocausto. O seu livro “Vizinhos”, de 2001, descreve com detalhes o massacre de 1600 homens, mulheres e crianças judias praticado por cidadãos polacos em 1941 na aldeia de Jedwabne. O livro inspirou o filme “Adtermath” (Pokłosie) realizado por Władysław Pasikowski em 2012.

A obra de Jan T. Gross veio trazer uma nova luz ao período da ocupação nazi, forçando os polacos a debater exemplos de comportamentos antissemitas e de colaboração com os ocupantes nazis na perseguição aos judeus.

História oficial”

O ataque ao historiador é representativo da política do governo de extrema-direita do partido Direito e Justiça (PiS), que governa a Polónia, de promover uma “História oficial” aprovada pelo governo. Ao mesmo tempo, é uma advertência a todos os historiadores que queiram investigar o passado livremente que podem ser acusados de traição nacional.

O atual presidente da República, Andrzej Duda, afirmou durante a campanha eleitoral que nada havia a desculpar-se pelo episódio de Jedwabne, criticando o presidente anterior, Bronislaw Komorowski, por tê-lo feito. Para Andrzej Duda, os polacos têm de reforçar o “orgulho nacional”.

Atentados à democracia

Nova lei poderá prever penas de até cinco anos de cadeia aos cidadãos que “culpem a nação polaca por crimes nazis ou estalinistas”.

A perseguição ao historiador vem no mesmo sentido da lei, aprovada no Parlamento a 31 de dezembro, que coloca os média públicos sob o controlo do novo governo; e também da aprovação de uma reforma que põe o Procurador Geral sob o controlo do Ministério da Justiça.

Surgem agora também notícias de que está a ser preparada nova legislação que poderá prever penas de até cinco anos de cadeia aos cidadãos que “culpem a nação polaca por crimes nazis ou estalinistas”.

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