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“Políticas climáticas em Portugal são expressamente negacionistas"

Climáximo alerta que, de acordo com os planos climáticos do governo, nos próximos 5 a 14 anos, Portugal vai emitir todo o CO2 a que tem direito até 2100. E defende que, para travar a crise climática, são necessárias medidas com um nível de ambição incomparavelmente superior às atuais.
Greve climática em Portugal. Foto da Rede Anticapitalista.

O Climáximo analisou o novo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU e os planos climáticos do governo português, nomeadamente, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 e o Plano Nacional de Energia e Clima 2030.

No documento “Orçamento de Carbono vs. Políticas Climáticas: Quanto tempo ainda temos?”, o coletivo pela justiça climática mostra que “o orçamento será esgotado já entre 2026 e 2035 – se não se esgotou já – dependendo das pressuposições técnicas”.

“Isto significa que nos próximos 5 a 14 anos Portugal vai emitir todo o CO2 a que tem direito até 2100, em qualquer cenário global compatível com a manutenção da temperatura média abaixo dos 1,5 ºC”, explica o Climáximo.

“Aceitando o consenso científico em relação à crise climática, se acreditarmos na execução dos planos delineados pelo governo, se acreditarmos que os próximos sete governos respeitarão e executarão o mesmo plano, se acreditarmos que os cortes previstos são verdadeiros (i.e. não utilizam jogos contabilísticos para fingir cortes onde não existem) e se aceitarmos que temos sorte (ou seja, que estaríamos por chance dentro da probabilidade de 67% calculada por IPCC), então o orçamento de carbono de Portugal acabaria entre 2026 e 2035, o que significaria o encerramento da atividade económica por completo”, lê-se no relatório.

Os cálculos do Climáximo “mostram a impossibilidade de conciliar o realismo político atual com o realismo físico da crise climática. Em outras palavras, as políticas climáticas em vigor são expressamente negacionistas da ciência climática”.

Os ambientalistas apontam que “ainda é possível travar a crise climática e evitar o agravamento da situação catastrófica em que já nos encontramos”. Mas alertam que, para que isso aconteça, “são necessárias medidas com um nível de ambição incomparavelmente superior às atuais”.

No relatório, concluem que existe “uma necessidade urgente de dizer a verdade sobre as políticas climáticas atuais e o seu significado em relação à ciência climática” e que, para evitar o caos climático, serão necessárias “mobilizações muito maiores, sustentadas e determinadas nos próximos anos”.

 

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