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Polícia reprime manifestantes

Os distúrbios ocorreram no final de um protesto contra a atuação da PSP no Bairro da Jamaica, no Seixal. O realizador João Salaviza denunciou à comunicação social a violência, "segundo critérios cromáticos (cor da pele)", e afirmou que a manifestação ocorria de forma pacífica.
Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

Os confrontos aconteceram na Baixa de Lisboa, ao final da tarde desta segunda, em frente ao Ministério da Administração Inteira. Convocado através das redes sociais, na sequência de incidentes do passado domingo no Bairro da Jamaica, no Seixal, o protesto mobilizou cerca de 200 pessoas.

A polícia afirma ter sido atacada à pedrada, o que a terá motivado a disparar, num confronto que culminou em vários feridos e quatro detenções. Fonte oficial da PSP confirmou à comunicação social as quatro detenções, assim como a necessidade de dispersão.

Pelas redes sociais, circulam vídeos em que dezenas de pessoas fogem dos tiros da polícia, descendo a Avenida da Libedade.

Segundo declarações de João Salaviza, presente na manifestação, ao Público, um grupo subiu a Avenida da Liberdade em direcção ao Marquês de Pombal “de forma completamente ordeira e pacífica”, gritando palavras de ordem contra a violência policial e o racismo.

“Havia imensa polícia e polícias armados de shotgun”, terá dito ao jornal. “A determinada altura, o trânsito estava parado e esses carros começaram a buzinar em solidariedade. Alguns manifestantes aproximaram-se dos carros para agradecer. Não percebei muito bem como, oiço tiros e vejo toda a agente a correr. A polícia começou a varrer todos os que tinha pela frente e a quem tivesse associado à manifestação, segundo critérios cromáticos (cor da pele), batia com cassetetes. Acho que a maioria conseguiu fugir”, cita o Público.

De acordo com o mesmo jornal, Salaviza terá ainda dito que “Havia pessoas àquela hora que iam buscar os filhos à escola, a sair do trabalho, turistas a sair dos hotéis. A polícia transformou a Avenida da Liberdade numa espécie de guerra civil. Vi muita gente a dizer que tinha medo de estar perto dos polícias mas não dos manifestantes", afirma, acrescentando que viu muitas mulheres entre os manifestantes.

Este protesto veio na sequência da detenção de um homem no Bairro da Jamaica após desacatos entre civis e agentes da polícia. A família afirma que os agentes usaram violência excessiva e injustificada.

O SOS Racismo foi ao Bairro da Jamaica ouvir os testemunhos de vítimas e de testemunhas das agressões policiais cujo vídeo circulou este domingo nas redes sociais. No comunicado que emitiu depois, considera que “independentemente do contexto e das circunstâncias em que ocorreram (…) estas agressões são absolutamente injustificáveis e inaceitáveis”. Por isso, condena “veementemente a atuação da PSP” e exige “o apuramento das responsabilidades”. Para a organização anti-racista as agressões no Bairro da Jamaica, no concelho do Seixal, não podem ficar impunes. O SOS Racismo considera que estas agressões são mais um episódio de formas de intervenção policiais enraizadas.

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