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Polícia londrina infiltra manifestação anti-fascista e acaba a pagar por detenções ilegais

A Polícia Metropolitana de Londres fez um acordo extra-judicial para não ir a julgamento acusada de detenções ilegais de manifestantes anti-fascistas. Vai pagar cerca de 800 mil euros. A Scotland Yard infiltrou agentes à paisana para vigiar os manifestantes.
Marcha da extrema-direita  em direção a uma mesquita. Londres, 7 de setembro de 2013.
Marcha da extrema-direita em direção a uma mesquita. Londres, 7 de setembro de 2013. Foto de David Holt/Flickr

A sete de setembro de 2013, o grupo de extrema-direita Liga de Defesa Inglesa (EDL) marcou uma ação provocatória em Londres em que fazia uma marcha até uma mesquita local promovendo o ódio contra o islamismo. A polícia escoltou a extrema-direita.

Já a atitude policial para com os contra-manifestantes anti-fascistas foi diferente. Concentrados num parque em Whitchapel, estes fizeram uma marcha que acabou por ser cercada pela polícia supostamente para “prevenir uma iminente quebra da paz”. Os manifestantes foram impedidos de utilizar casas de banho e não tiveram acesso a água ou comida. Depois foram levados para várias esquadras onde 286 pessoas ficaram detidas por 14 horas sob acusação de não terem cumprido as restrições impostas ao protesto que os manifestantes alegaram não conhecer.

Dos 286 detidos então, apenas uma pessoa foi acusada no seguimento deste caso.

Assim, foram interpostas várias ações em tribunal por detenção ilegal. E soube-se agora que a Polícia Metropolitana de Londres preferiu pagar acordos extra-judiciais no valor de cerca de 800 mil euros a 153 dos manifestantes, a enfrentar o julgamento. O caso de outras 28 pessoas está ainda por decidir.

O jornal inglês The Guardian revelou entretanto que a polícia tinha dois agentes infiltrados encarregados de espiar a manifestação anti-fascista. A sua prisão, junto com os outros manifestantes, foi encenada.

O coordenador do grupo de defesa das liberdades cívicas The Network forPolice Monitoring, Kevin Blowe, criticou a utilização de agentes à paisana: “o seu papel era a vigilância de um novo e emergente movimento anti-fascista – o seu tamanho, estruturas, aliados e membros proeminentes.” Está a decorrer um investigação pública liderada por um juiz reformado para examinar o uso de agentes infiltrados pela polícia em mais de mil grupos políticos, anti-racistas, ambientalistas e de esquerda radical desde 1968.

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