You are here

Polícia de Cancun reprime manifestação feminista com balas

As manifestantes entraram no edifício da Câmara Municipal para denunciar a violência contra as mulheres e a ineficácia das autoridades mexicanas em investigar e combater este tipo de crimes. Como reação, a polícia disparou contra várias pessoas.
Fotografia de Aristigue Noticias.

A polícia mexicana disparou contra várias pessoas que participavam numa manifestação contra o homicídio de duas mulheres em Cancún, no México. Três pessoas foram atingidas, todas jornalistas a cobrir o protesto.

Cerca de dois mil manifestantes integravam uma marcha para protestar contra o homicídio de mulheres no estado de Quintana Roo, mas foram reprimidos a tiro pelas forças de segurança. Segundo a TeleSur, a polícia local já condenou o sucedido. A polícia fechou a entrada da Câmara Municipal de Benito Juárez, em Cancún, com cercas metálicas.

Os disparos começaram depois de algumas mulheres terem entrado nas instalações da Câmara Municipal a exigir justiça para as vítimas de homicídio, no fim de semana.

 

As manifestações foram convocadas para denunciar a ineficácia das autoridades para combater e punir estes crimes e a violência de género. Em 2019, o México registou 1.012 homicídios de mulheres, atingindo os números mais elevados de que há memória.

A Procuradoria do estado de Quintana Roo confirmou a descoberta em Cancún do corpo de uma mulher de 20 anos, desaparecida dois dias antes. Segundo estes, o cadáver tinha "sinais claros de violência".

De acordo com o Ministério Público de Quintana Roo, uma dúzia de mulheres foram mortas até agora naquele estado.

No twitter, Carlos Joaquín González, governador do estado de Quintana Roo, condenou a violência contra as manifestantes:

"Condeno totalmente a intimidação e a agressão contra os manifestantes. Dei instruções precisas de não agressão nem [uso de] armas nas marchas que se realizariam hoje [segunda-feira]", acrescentou.

O governador disse que iria investigar "a pessoa irresponsável que deu instruções diferentes destas e causou toda esta situação complicada para a sociedade de Quintana Roo". "Agirei com firmeza para que a lei seja aplicada a quem quer que tenha cometido esta agressão", afirmou.

O diretor para a região da organização não-governamental Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, afirmou que a "polícia local reprimiu um protesto com armas de fogo e tentou tirar telefones e câmaras aos jornalistas presentes", cita a agência Lusa.

Além disso, dois jornalistas foram baleados, acrescentou, defendendo que "as autoridades devem investigar e punir os responsáveis".

Termos relacionados Internacional
(...)