You are here

Polícia cerca universidade em Hong Kong, manifestantes resistem

Cerca de uma centena de manifestantes resistem barricados na Universidade Politécnica, em Hong Kong, na sequência do cerco policial à instituição ocupada. A Amnistia Internacional apela à polícia para reduzir a tensão e quer uma investigação independente ao uso da força desde o início dos protestos.
Manifestantes no interior da Universidade Politécnica de Hong Kong. Novembro de 2019.
Manifestantes no interior da Universidade Politécnica de Hong Kong. Novembro de 2019. Foto de JEROME FAVRE/EPA/LUSA.

Vive-se o episódio mais tenso até agora de um conflito que dura há cinco meses com a ocupação há três dias do campus da Universidade Politécnica em Kowloon, Hong Kong. A polícia cercou as instalações e, desde então, têm havido confrontos entre polícia e manifestantes. Às várias tentativas de fuga do local, as forças policiais responderam disparando gás lacrimogéneo. Ao passo que aos avanços policiais com canhões de água e carros blindados, os ativistas respondiam com lançamento de dispositivos incendiários artesanais e disparos de flechas.

Na noite passada, um acordo mediado por várias instituições permitiu que um grupo de manifestantes saísse. Carrie Lam, responsável governamental de Hong Kong, informou a este propósito que foram à volta de 600 os manifestantes que se “renderam” às autoridades. 400 foram detidos, 200 que eram menores não foram presos.

Apesar disto, há um outro grupo de cerca de uma centena de pessoas que resiste.

A ação na Universidade tem sido acompanhada do lado de fora por milhares de manifestantes que foram tentando romper o cerco para chegar aos manifestantes e assisti-los. A polícia conseguiu até agora impedir que o cerco fosse rompido, à custa de disparos de gás lacrimogéneo, balas de borracha e mesmo fogo real disparado como “aviso”, tendo anunciado que prendeu 1100 pessoas desde o início desta fase do conflito. Por seu lado a administração hospitalar da região confirma terem sido atendidos quase 300 feridos provenientes da universidade cercada.

Para além da escalada do conflito, também os discursos vão subindo de tom. Um porta-voz da polícia utilizou o facebook para ameaçar o uso de munições reais. E o Congresso Nacional do Povo, o órgão legislativo superior chinês, contestou a decisão tomada esta segunda-feira pelo Tribunal Superior de Hong Kong que julgou ilegal a lei que proibia que manifestantes utilizassem máscaras, o que acentuou os temores pela autonomia da região.

E as atenções voltaram-se ainda para as palavras do embaixador da China no Reino Unido juntou à habitual tese que acusa EUA de ingerência o aviso de que o governo chinês não vai ficar à espera de baixos caídos que a situação se torne incontrolável”, considerando os manifestantes como “criminosos”.

Do lado não oficial, os discursos são ainda mais duros. Por exemplo o editor do jornal Global Times, de orientação nacionalista e pró-Partido Comunista Chinês, Hu Xijin escreveu na sua conta de Weibo, rede social chinesa semelhante ao Twitter, que a polícia deveria utilizar snipers para matar os manifestantes e “não ter que assumir responsabilidade legal”.

Amnistia apela a reduzir tensão e a investigação independente

A Amnistia Internacional apelou à polícia para “evitar mais tragédia”. Man-Kei Tam, diretor da secção de Hong Kong da organização não governamental, considerou que a polícia tem “incendiado a violência enquanto devia estar a tentar desarmá-la”.

Neste caso, a instituição acusa ainda a polícia de, para além de não ter assistido os manifestantes que se encontravam feridos, ter prendido os médicos que tentaram tratar os feridos.

Sobre os incidentes que ocorrem há meses nas manifestações Tam não deixou de criticar quer a “natureza de natureza crescentemente violenta da natureza violenta dos protestos” quer a “mão pesada da resposta policial a manifestações largamente pacíficas”, dizendo que a ameaça de utilizar munições reais “aumenta o risco de uma tragédia nas ruas”.

A Amnistia Internacional quer uma investigação independente ao uso da violência,tortura e detenções ilegais desde que em abril começaram as manifestações.

Termos relacionados Internacional
(...)