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Polícia catalã avisa procurador: impedir ida a votos aumenta risco de distúrbios

No fim da reunião entre os corpos policiais incumbidos de impedir o referendo, os Mossos d’Esquadra dizem que cumprirão as instruções com “proporcionalidade” para evitar “consequências não desejadas”.
Foto Mossos d'Esquadra/Flickr

A quatro dias do referendo, o reforço da presença das forças policiais na Catalunha – três quartos das unidades anti-motim espanholas estão agora ali colocadas –  e a intransigência do governo e da Procuradoria em impedir o referendo convocado por governo e parlamento catalães, instalaram um clima de tensão que terá o seu auge no próximo domingo.

O procurador do Estado espanhol na Catalunha, Jose Maria de Tejada, deu ordens para que os Mossos d’Esquadra estabeleçam a partir de sexta-feira à noite um perímetro de cem metros à volta dos locais previstos para a votação, dos quais ninguém se poderá aproximar.

Esta quarta-feira, realizou-se uma reunião convocada pela Procuradoria com a Guardia Civil, o Corpo Nacional de Polícia e os Mossos d’Esquadra. No final da reunião apenas a polícia catalã tornou pública a posição que defendeu na reunião. “A aplicação das medidas acordadas pela Procuradoria têm de se adaptar aos princípios básicos que regem qualquer atuação policial”, diz o comando da polícia catalã, enunciando esses princípios: “oportunidade, proporcionalidade e congruência”. Para os Mossos d’Esquadra, que foram colocados pelo procurador espanhol na primeira linha da repressão ao referendo, “o cumprimento de instruções não exclui a responsabilidade profissional de contemplar que aplicá-las pode trazer consequências indesejadas”, que têm a ver com a segurança dos cidadãos “e ao mais que previsível risco de alterações da ordem pública”.

A atuação das forças policiais está também na mira do governo catalão, que convocou para quinta-feira uma reunião da Junta de Segurança da Catalunha, o principal órgão de coordenação da ação das forças de segurança que intervêm na Catalunha.

Estudantes prosseguem manifestações pró-referendo

Esta quarta-feira, vários grupos de estudantes manifestaram-se em diversas zonas de Barcelona, convergindo para a reitoria da universidade, que continua ocupada e a funcionar como centro de informação aos eleitores. Uma das manifestações cortou uma das principais vias de aceso à capital catalã, a AP7, provocando várias horas de engarrafamentos.

Pablo Iglesias teme que ocorra “uma desgraça” se o PP não recuar

À chegada à sessão do parlamento espanhol, o líder do Podemos acusou o governo de Mariano Rajoy de estar “muito perto de cometer um erro histórico no domingo, que vai custar bem caro à Catalunha e a Espanha”. E acrescentou que a posição do Partido Popular passa por usar a Catalunha como cortina de fumo para não falar dos escândalos de corrupção que têm envolvido o partido da direita espanhola.

Para Iglesias, a solução oferecida pelo governo do PP para a Catalunha são “balas de borracha, cassetetes e canhões de água”. “Desconfio que alguns pirómanos do PP estão a procurar cenários de feridos que nos podem levar a uma situação de desgraça”, prosseguiu o líder do Podemos, lembrando as imagens da saída dos carros da Guardia Civil em Huelva com destino à Catalunha, com manifestantes da extrema-direita a aplaudir e a gritar “Vamos a eles!”.

“São imagens que parece que antecipam uma espécie de cenário bélico”, descreveu Pablo Iglesias, concluindo que “prefiro mil vezes essa imagem de votos na urna em vez da de balas de borracha ou canhões de água”.

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