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Polanski vence prémio de melhor realizador, várias atrizes saem da sala em protesto

O realizador Roman Polanski venceu o prémio de melhor realizador dos César, os chamados “óscares franceses”. A decisão controversa de homenagear um homem condenado por violação levou várias atrizes a sair da sala em protesto.
Protestos contra Polanski à porta da cerimónia de entrega dos César. Paris, 28 de fevereiro de 2020.
Protestos contra Polanski à porta da cerimónia de entrega dos César. Paris, 28 de fevereiro de 2020. Foto de CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA/LUSA.

J'accuse é um filme sobre o caso Dreyfus que abalou a sociedade francesa no século XIX: um oficial de origem judaica foi injustamente acusado e condenado por traição num caso que dividiu o país e mostrou o anti-semitismo das instituições vigentes.

Roman Polanski escolheu o tema bem de propósito. Declarou numa das apresentações do filme que vê aí “a mesma determinação em negar os factos e ser condenado por coisas que não fiz” e, no dossier de apresentação do filme, escreveu que conhece “muitos dos mecanismos de perseguição que são levados a cabo neste filme e isso inspirou-me evidentemente”.

O realizador refere-se à sua condenação por violação de uma rapariga de 13 anos nos anos 70, na sequência da qual fugiu dos Estados Unidos para França. Depois disso, Polanski voltou a ser acusado várias vezes de assédio sexual.

J'accuse era um dos favoritos da cerimónia. Estava nomeado para 12 categorias e ganhou três prémios esta sexta-feira à noite. Escapou-lhe o prémio para melhor filme que foi para Les Miserábles de Ladj Ly.

O anúncio do prémio de melhor realizador foi recebido com indignação por várias atrizes. Adèle Haenel, que foi abusada sexualmente em criança por outro realizador, saiu da sala, dizendo que era uma “vergonha”. Noémie Merlant e a realizadora Céline Sciamma fizeram o mesmo. E a apresentadora da cerimónia, a atriz Florence Foresti, não voltou ao palco depois do anúncio e publicou uma story no Instagram onde se lia “enojada”. Às portas da Salle Pleyel, em Paris, onde decorreu a cerimónia, houve também vários manifestantes.

A polémica não vem de ontem. A totalidade da direção dos prémios César tinha-se já demitido devido ao caso. A ministra da Igualdade de França, Marlè Schiappa, também tinha tomado posição crítica. Em declarações anteriores à cerimónia dissera ser “impossível que uma sala se levante e aplauda o filme de um homem acusado de violação várias vezes.”

Polanski não esteve presente. Disse temer pela sua segurança e querer evitar um “linchamento público”.

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