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"Plantações florestais industriais não são florestas", apontam associações ambientais

No Dia Mundial da Floresta, oito associações ambientais portuguesas denunciam que as “mais recentes medidas legislativas” do governo PSD/CDS-PP levam à “expansão das plantações florestais industriais, mas não das florestas”.
Floresta em Vilar Suente Soajo - Foto de Domingos Xavier/flickr

No Dia Mundial da Floresta, as associações LPN, GEOTA, GAIA, FAPAS, A Rocha, Oikos, QUERCUS e SPEA divulgaram um comunicado apontando: “Plantações florestais não são florestas!”.

No comunicado, disponível na íntegra no site da LPN, é apontado que a proposta governamental de financiar a plantação de eucaliptais através do Programa de Desenvolvimento Rural “utiliza exatamente esta confusão entre florestas e plantações florestais para, uma vez mais, apoiar a iniciativa privada, financiando atividades económicas com fundos destinados ao desenvolvimento local, rural e ambiental”.

As associações salientam que a expansão das plantações florestais industriais, mas não das florestas, “é ainda agravada pelo desordenamento e má gestão das plantações florestais, que ardem ano após ano, dependendo a extensão da área ardida e das ignições apenas das condições de humidade e temperatura”. Realçam também que esses incêndios “estendem-se todos os anos a florestas verdadeiras, que vão sendo gradualmente substituídas por plantações florestais e regredindo na sua complexidade e nos serviços ambientais e sociais que prestam”.

No texto, destaca-se que a confusão entre florestas e plantações florestais industriais “serve apenas para prejudicar as florestas”, sublinhando que, ao contrário das “plantações industriais de rotação curta em regime de monocultura”, “as florestas são sistemas multidimensionais, conjugando diversidade estrutural, funcional e biológica que inclui elementos não arbóreos como o solo, a água, os microrganismos, fauna e flora e a interacção entre espécies e com as comunidades humanas”.

O documento salienta que “a proliferação de plantações florestais para exploração industrial não reverte a desflorestação” e “tem contribuído decisivamente para a substituição de ecossistemas e biomas ricos e complexos”.

As associações ambientais realçam ainda que, em Portugal, “as plantações de eucaliptos e pinhais (...) têm acarretado gravíssimos problemas ambientais, sociais e económicos”.

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