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Pesqueiro com 450 migrantes a bordo resgatado perto de Lampedusa

O barco estava em risco de virar, o que fez com que fosse escoltado até à ilha italiana de Lampedusa, onde foi recebido com protestos de alguns habitantes. No dia anterior, o navio humanitário Louise Michel necessitou de auxílio por estar a transportar um número de pessoas muito acima da sua capacidade.
As estimativas oficiais apontam para 500 mortos no Mediterrâneo desde o início de 2020, mas os números reais deverão ser muito mais elevados.
As estimativas oficiais apontam para 500 mortos no Mediterrâneo desde o início de 2020, mas os números reais deverão ser muito mais elevados. Fotografia de Noborder Network/Flickr.

Um barco pesqueiro que transportava 450 migrantes foi resgatado na passada madrugada quando se encontrava em risco de virar devido ao vento forte e ao elevado peso que transportava. Para evitar uma tragédia, lanchas patrulha da Guarda Costeira e da Guarda di Finanza italianas escoltaram o barco para Lampedusa, uma vez que este se encontrava a quatro milhas da ilha quando foi encontrado.

A estas 450 pessoas junta-se cerca de 500 que nas 24 horas anteriores tinham chegado em pequenas embarcações à ilha. A repentina chegada de um tão elevado número de homens e mulheres fez com que fosse decretada emergência na olha. É que o centro de acolhimento de refugiados da ilha de Lampedusa, construído para instalar 200 pessoas, alberga agora 1160. 

O resgate das 450 pessoas deu origem a protestos encabeçados por Ángela Maraventano, ex-senadora do partido de extrema direita Liga, que tentou evitar a passagem dos veículos de emergência para o molhe, fez saber a Lusa. 

Entretanto, o barco humanitário Sea Watch 4, operado pela ONG com o mesmo nome e pelos Médicos Sem Fronteiras, recebeu 150 migrantes resgatados pelo navio Louise Michel, que se encontrava em dificuldades. O navio aguarda agora num porto italiano, tendo ainda mais de 350 pessoas a bordo. 

“Mais de 350 sobreviventes, incluindo grávidas e crianças, esperam a bordo do Sea Watch4. Estão a realizar-se testes médicos aos recém embarcados. Com a médica Ilena, a Médicos Sem Fronteiras trata pessoas com queimaduras de gasolina, desidratação, hipotermia e traumas”, explicou a tripulação na rede social Twitter. Já a tripulação do Louise Michel lembrou que a lei marítima internacional obriga ao salvamento de qualquer pessoa que se encontre em perigo no mar, independentemente da sua nacionalidade.  

Segundo o jornal Guardian, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e a Organização Internacional para a Migração (IOM no original) defenderam que mais de 200 dos refugiados resgatados tinham de abandonar de imediato o Louise Michel, uma vez que este se encontrava muito acima da sua capacidade. 

Totò Martello, autarca de Lampedusa, ameaçou avançar com uma greve em toda a ilha. “Estamos de joelhos com estas novas chegadas ao centro de acolhimento. A situação é insustentável. Ou o governo toma decisões imediatas ou isto atingirá toda a ilha. Será a administração que declarará diretamente a greve, fechando tudo. Não é possível continuar a suportar esta posição do governo”, afirmou em declarações à comunicação social italiana e citadas pela Lusa. 

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados instou os países europeus a deixar entrar os migrantes resgatados no Mediterrâneo por barcos humanitários. 

De acordo com as estatísticas oficiais, morreram este ano mais de 500 pessoas no Mediterrâneo, sendo que se estima que o número real seja muito superior. 

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