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Perseguição aos ciganos agrava-se com as eleições locais em França

As condições de vida nos bidonvilles franceses continuou a deteriorar-se com a eleição de François Hollande e a formação de um governo do PS e o ambiente de eleições locais piorou a situação, que é de "um ambiente nauseabundo", de acordo com a rede associativa Romeurope, que defende os interesses das comunidades agregadas no conceito Roma.
O ataque às comunidades roma foi lançado em 2010 pelo discurso de Grenoble do então presidente Nicolas Sarkozy e teve seguimento desde que Manuel Valls tomou conta da pasta do Interior no governo da administração Hollande.

Claire Sabah, da organização Socorro Católico, denunciou, numa conferência de imprensa em Paris, que a proximidade de eleições municipais tem vindo a transformar as comunidades roma em "bodes expiatórios". Como exemplo, citou o facto de Paul-Marie Coûteaux, cabeça de lista da Frente Nacional neofascista na VI circuncrição de Paris, ter declarado que os ciganos fizeram "uma invasão" que é um atentado à "ordem estética" do seu bairro, pelo que a solução será "concentrá-los em campos".

Declarações como esta não provocaram reacções, nem mesmo de Anne Hidalgo, a candidata do PS. O ataque às comunidades roma foi lançado em 2010 pelo discurso de Grenoble do então presidente Nicolas Sarkozy e teve seguimento desde que Manuel Valls tomou conta da pasta do Interior no Governo de Hollande.

Segundo a Liga dos Direitos Humanos (LDH) e o Centro Europeu para os Direitos dos Roma (CEDR), cerca de 20 mil pessoas foram atingidas pelo desmantelamento de acampamentos em 2013. Mais vinte expulsões de campos foram registadas desde o início de 2014, já como sinal de aproximação das eleições locais e as " limpezas", que os autarcas consideram necessárias.

A organização Romeurope considera que "o Governo e as autoridades locais se fecham numa política de aparente firmeza cuja ineficácia é flagrante e o custo considerável (ainda que guardado em segredo), além de uma desumanidade reconhecida por todos. Mais grave ainda, quando existe uma vontade local de procurar outras soluções mais respeitadoras da dignidade das pessoas, mais solidária e duradoura, logo é reduzida a nada pelos despejos exigidos pelo ministério do Interior e que têm a concordância do Presidente da República".

Vários foram os exemplos de discriminação contra os roma e imigrantes denunciados na conferência de imprensa em Paris, designadamente a recusa de acessos a habitantes de acampamentos a pontos de água comunitários e preços exorbitantes exigidos a crianças dos acampamentos para terem refeições nas cantinas das escolas que frequentam: 14 euros por refeição diária contra os 99 cêntimos cobrados à maior parte dos outros alunos.

Artigo publicado no site do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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