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Percorrer o vazio deixado pela emigração

"Todos sabiam o que era a ausência, explicá-lo é que não era de todo fácil”. É desta forma que Raul Atalaia explica os contornos mais impressivos da peça "Ausência" que a companhia de teatro O Bando tem em cena até 13 de Dezembro.
Explicar a ausência, eis o desafio desta peça. Foto do site do Teatro O Bando.

Eis-nos de novo perante a emigração que marcou várias gerações de portugueses e que nos últimos anos emergiu de novo levando a que muitos, para contornar a projeção no vazio provocada pela ausência, se tenham ancorado na lembrança do que deixam e na esperança do seu novo espaço quotidiano.

Raul Atalaia, ator e membro da direção desta cooperativa, disse à Lusa que “a peça está vocacionada não só para a infância e para a juventude como também para os adultos uma vez que se baseia em fotografias captadas por Isabel Atalaia em colaboração com várias escolas do concelho de Palmela.”

"Este trabalho fotográfico, refere Raul Atalaia, permitiu que muitas crianças se confrontassem com o conceito de “falta” ou da “percepção que têm do que está ausente" porque muitas delas têm familiares ou conhecidos que partiram para outros destinos em busca de vida...a vida que aqui lhes foi negada.

"Estamos assim, precisa Raul Atalaia, perante um espectáculo onde existem muitas condições de mobilidade porque  radica no universo de um “viajante em busca de um território”.

Esta mobilidade permite, segundo o ator, que “Ausência” seja apresentada também nas escolas com o intuito de “devolver à comunidade aquilo que ela já lhes deu”.

A peça, é uma coprodução internacional com o Dynamo Théatre de Montreal, do Canadá, e enquadra-se num projeto que há três anos o Bando desenvolve com outras cinco companhias estrangeiras. Esta parceria tem vindo a abordar temas como a pobreza, movimentação de pessoas pelo mundo e também as migrações.

"Ausência" tem textos da autoria de João Neca e cenografia de Nicolas Brites e é uma cocriação de Jacqueline Gosselin, do Dynamo Théâtre, que há duas semanas estreou, em Montreal, a peça "Immigrant d´intérieur”, na qual Nicolas Brites foi cocriador.

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