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Pequim entra pela primeira vez em alerta vermelho de poluição

A poluição do ar é mais de quinze vezes superior ao nível máximo recomendado. Governo recomenda o fecho de escolas, proíbe a circulação de metade dos carros e atividades ao ar livre.
O ar de Pequim. Foto de Egorgrebnev/Flickr.

O “alerta vermelho” de poluição, anunciado pelo Governo chinês na noite desta segunda-feira, é o primeiro na história da capital do país mais poluente do mundo. Porém, não se trata de uma surpresa, dado o manto escuro, pesado e húmido de ar contaminado que se abateu há vários dias sobre Pequim, o que era já um prenúncio objetivo do estado de alerta máximo, para além do preocupante laranja decretado na semana passado.

O alerta vermelho vai durar até ao meio-dia de quinta-feira, altura em que se espera que uma frente de ar frio dissipe parte do ar poluído na cidade. Até lá, segundo avança o Público, só metade dos carros em Pequim podem circular (matrículas que acabem em números ímpar num dia, números par no outro), recomenda-se o fecho das escolas sem bons sistemas de filtração de ar e a limitação do tempo de trabalho em locais de construção ao ar livre. Além disto, as empresas devem dar horários mais flexíveis aos seus trabalhadores e todas as “grandes atividades ao ar livre” estão proibidas.

“Consegue-se ver a poluição, consegue-se sentir-lhe o sabor”

À Associated Press. um residente em Pequim, Li Huiwen, afirmou que “mesmo quando estou com a máscara sinto-me desconfortável e não tenho energia nenhuma”. Já o enviado da Al-Jazira na capital chinesa, Adrian Brown, citado pelo Público, descreve com mais pormenor: “Consegue-se ver a poluição, consegue-se sentir-lhe o sabor”.

Para se chegar ao risco de saúde de uma dada poluição atmosférica, o método mais comum é medir as Partículas de Matéria 2.5 (PM2.5). Entre outros elementos, estas minúsculas partículas – 0,0025 milímetros, daí o seu nome – contêm vestígios de metais, combustão e compostos orgânicos suficientemente pequenos para entrarem no sistema respiratório ou circulação sanguínea. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um máximo de 25 microgramas de PM2.5 por metro cúbico para que o ar seja considerado saudável.

Às 19h desta terça-feira, hora local de Pequim, o sistema de medição da poluição atmosférica da embaixada dos Estados Unidos registava 379 microgramas de PM2.5 por metro cúbico. Mais de quinze vezes superior ao nível máximo. Um valor considerado “perigoso”, o quinto e mais grave patamar de risco de saúde na escala de poluição atmosférica. Algumas zonas da cidade chegavam aos 400 microgramas de PM2.5.

Na semana passada, os níveis de poluição chegaram a ser 40 vezes o máximo recomendado pela OMS – mais de 1000 microgramas de PM2.5 por metro cúbico de ar. Mas o Governo não decretou então o alerta vermelho para a capital, ou em ocasiões semelhantes nos últimos meses. A decisão de não o fazer e decretar antes o alerta laranja, o nível imediatamente inferior, foi recebida com alguns protestos.

A qualidade do ar na capital chinesa tem melhorado ligeiramente nos últimos meses, mas as ocasiões em que as medições de PM2.5 são consideradas aceitáveis acontecem ainda em menos de 5% das análises norte-americanas.

Segundo a BBC News, a principal fonte de energia na China é ainda o carvão (mais de 60%), apesar do grande investimento em fontes renováveis de energia dos últimos anos. O ar estanque e contaminado que se sente em Pequim é sobretudo provocado pelas fábricas utilizadoras de carvão na sua periferia, poeira dos locais de construção e as grandes emissões poluentes dos veículos. A poluição do ar na cidade agravou-se nos últimos dias devido à falta de vento e grande humidade.

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