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Pensar uma Educação Emancipatória

Resumo da apresentação do painel apresentado por Maria José Araújo e Hugo Monteiro no Fórum Socialismo 2021, no próximo sábado, 28 de agosto, em Braga.
sala de aula
Foto de Paulete Matos.

Adequa-se à Educação a célebre tese marxista, que aqui nos atrevemos a adaptar: A Educação tem apenas representado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.

Pensar a Educação de um ponto de vista emancipatório é, necessariamente, reconhecer que o seu potencial libertador está por cumprir, falhando-se o desígnio de transformação cuja insuficiência Marx atribuía aos domínios ainda idealistas da filosofia. São diversos os fatores que geram, no plano educativo, esta tendência e importa reconhecê-los.

Hoje, quando os pressupostos do capitalismo tardio invadem o pensamento e prática educativa, o léxico escolar e escolarizado do insucesso, da meritocracia e do individualismo ilustra uma educação hegemonizada pelas lógicas meramente escolares. Num primeiro momento, este painel tratará de discutir o sentido regulador da Educação que, com muitas mas atomizadas exceções, predomina nos discursos e nas políticas educacionais. Num segundo momento, discutirá os efeitos paradoxais e alienantes das aprendizagens rotinizadas do quotidiano, com um olhar não de alienação, mas de liberdade, resistência e invenção.

Como veremos, perspetivar a emancipação a partir da Educação passa necessariamente por regressar ao sentido pleno, nem sempre formalizado e tantas vezes contra-institucional que implica qualquer experiência realmente educativa. Para isso, deveremos contrariar o ato mecânico e estritamente técnico com que se encara frequentemente a educação. Deveremos repolitizar a educação, devolvendo-lhe uma missão democrática que vive muito para além dos slogans repetidos, reafirmando que uma educação de pleno direito é necessariamente crítica, criativa, participativa e globalmente transformadora.
 


Nota biográfica:

Maria José Araújo é ativista dos direitos humanos tem-se dedicado à Investigação e Intervenção Educativa, Social e Política, com especial incidência nos direitos das mulheres e das crianças. Membro da Rede Europeia In2Play, pelo direito a brincar e da UMAR. Fez parte da coordenação da Rede Europeia por uma outra Europa (EFI-IFE) e da EL-Fem - Rede feminista do partido da Esquerda Europeia.

Hugo Monteiro é investigador e ativista, com trabalho nos domínios do pensamento crítico contemporâneo e com a educação e intervenção social. Tem como espaços de intervenção preferenciais as questões da cidadania e da participação. Membro da CULTRA e do SOS Racismo.

Maria José Araújo e Hugo Monteiro são autores dos livros: InfantiCidades; (2019) Direitos das Crianças Interpretados pelos Adultos (2020) e Vermelho Vivo. Participação em Tempos de Eleições Autárquicas, em co-autoria com Mafalda Araújo (2021).

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