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Pegadas de dinossauro de Carenque “transformadas numa lixeira”

É o maior trilho de pegadas de dinossauro da Europa. Trinta anos depois de ser descoberto, está abandonado. Galopim de Carvalho diz que sente “vontade de chorar” ao vê-lo e vai colocar uma providência cautelar para preservar o local.
Pegada de dinossauro marcada a vermelho no Monumento Natural de Carenque. Foto de GualdimG/Wikimedia Commons.
Pegada de dinossauro marcada a vermelho no Monumento Natural de Carenque. Foto de GualdimG/Wikimedia Commons.

O geólogo António Galopim de Carvalho tem sido um dos mais conhecidos defensores da preservação do trilho de pegadas de dinossauro encontrado no Pego Longo, na União de Freguesias de Queluz e Belas. Anuncia agora que vai colocar uma providência cautelar para preservar o local com a colaboração de mais cinco especialistas em paleontologia, biologia e museologia: Mário Moutinho, Octávio Mateus, Maria Amélia Martins-Loução, Marta Lourenço e Maria Helena Henriques.

O antigo diretor do Museu Nacional de História Natural diz que sentiu “vontade de chorar” a última vez lá foi porque “está transformado numa lixeira. A vegetação autóctone, bravia, foi avançando e está a destruir a laje, quem tem apenas 15 centímetros de espessura” declarou à TSF.

O trilho de pegadas de dinossauro tem 132 metros de extensão, sendo considerado o maior da Europa. Nele existem cerca de duas centenas de pegadas com idade estimada entre 90 a 95 milhões de anos. Foi descoberto em 1986 por dois alunos de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Coke e Paulo Branquinho, numa pedreira abandonada na Quinta de Santa Luzia, em Pego Longo. Recebeu contudo o nome da localidade vizinha de Carenque.

É monumento nacional desde 1997. Há quase vinte anos foi aprovada a criação de um museu e centro interpretativo pela Câmara Municipal de Sintra então liderada por Edite Estrela. Nunca saíram do papel.

Galopim de Carvalho, ao Público, diz que “nunca houve por parte dos últimos dois presidentes da Câmara Municipal de Sintra interesse na construção do museu. Sempre me receberam com a maior simpatia e consideração, mas, concretamente, nada fizeram, mesmo quando lhes propus que a obra poderia ser faseada, em anos sucessivos, e que se encontrassem parcerias”. O cientista diz à TSF que agora tal não é prioritário e que “seria contraproducente estar a exigir um esforço financeiro numa altura em que o dinheiro faz falta para outras coisas”. Mas pede “que se trave a destruição.”

Questionado pela mesma rádio sobre o assunto, Basílio Horta, presidente da Câmara Municipal de Sintra diz que o terreno é particular e que o monumento depende do Estado. “O que é que nós temos a ver com isso?", dispara o autarca que está no seu segundo mandato mas que também sublinha que não é altura de construir o museu ou o centro de interpretação devido às circunstâncias que se vivem.

Depois esclarece que vai exigir a limpeza do local e que vai “mandar hoje mesmo a polícia municipal verificar o estado do terreno (...) se realmente tiver necessidade de ser limpo, será notificado para limpar. Se não limpar dentro do prazo, a câmara limpa e manda-lhe a conta."

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, ao mesmo órgão de comunicação social, diz que a limpeza será feita pelos seus técnicos e coordenada por técnicos de geologia “até ao final de outubro. Ao Público responde que limpou a zona “entre a última quinzena de Dezembro de 2018 e a primeira quinzena de Janeiro de 2019”.

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