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Pedro Tamen (1934-2021)

O escritor Pedro Tamen morreu esta quarta-feira em Setúbal, com 86 anos de idade. Dedicou mais de 50 anos à poesia, sendo um nome fundamental da literatura portuguesa. Era também um excecional tradutor.
Escritor Pedro Tamen em Coimbra, quando recebeu o prémio literário Inês de Castro, 12 de janeiro de 2008 - foto Paulo Novais/Lusa
Escritor Pedro Tamen em Coimbra, quando recebeu o prémio literário Inês de Castro, 12 de janeiro de 2008 - foto Paulo Novais/Lusa

Pedro Mário de Alles Tamen, de seu nome completo, nasceu em Lisboa em 1934, licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa mas não exerceu. Segundo a Lusa, integrou o jornal Encontro, da Juventude Universitária Católica, foi cineclubista, professor do ensino secundário, diretor-adjunto da revista Flama e editor em O Tempo e o Modo.

Nos anos 1970 integrou ainda a primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores. Foi administrador da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1975 e 2000, com o pelouro das Belas-Artes. Em 1993, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Tradução literária era um vício

Segundo a Lusa, Pedro Tamen iniciou a tradução do romance em sete volumes "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust no final de 2000, após a reforma.

Em entrevista ao programa televisivo "Por outro lado", em 2003, Pedro Tamen afirmou que a tradução literária era um vício, adquirido muito cedo, e que no caso da obra de Proust atingiu um grau de "possessão", de uma obra que é "um dos grandes livros que a Humanidade produziu até agora".

Além de Proust, Pedro Tamen traduziu obras de Flaubert, Camilo Jose Cela, Georges Pérec, Jean Paul Sartre, Gabriel Garcia Marquez, Mario Vargas Llosa e Michel Foucault.

Escritor premiado

Pedro Tamen foi premiado com o Grande Prémio de Tradução Literária, em 1990, o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 1991, o Prémio P.E.N. de Poesia, em 2001, o Prémio Luís Nava, em 2006 e o prémio literário Inês de Castro, em 2008.

Em 2010 venceu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com "O livro do sapateiro", e no ano seguinte o Prémio Literário Casino da Póvoa.

Pedro Tamen estreou-se em 1956 com "Poema para todos os dias", em edição de autor, pouco antes de assumir a direção da editora Moraes, até 1975, onde dinamizou a coleção "Círculo de Poesia".

A extensa obra poética foi coligida em diferentes ocasiões, nomeadamente em "Tábua das Matérias" (1991) e "Retábulo das Memórias" (2013), com cerca de mil páginas tiradas de 19 livros e poemas soltos.

A agência de notícias nacional cita que no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses se pode ler sobre Pedro Tamen: "À margem de escolas e movimentos, a sua poesia afirma-se como das mais cultas e inovadoras surgidas a partir da segunda metade dos anos 1950. O pendor religioso dos dois primeiros livros desvaneceu-se progressivamente, em favor de uma óbvia ambiguidade discursiva, por vezes sarcástica, de tónica anti-convencional e rigor ático".

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