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Paulo Núncio criou 120 empresas fictícias no offshore da Madeira

Paulo Núncio trabalhou durante dez anos no offshore da Madeira, período em que criou 120 empresas fictícas, uma investigação do Esquerda.net de 2015 confirmada agora pelo jornal Público.
Paulo Núncio, Foto Miguel A. Lopes/Lusa
Paulo Núncio, Foto Miguel A. Lopes/Lusa

Neste momento é muito claro que não houve nenhuma responsabilidade política no que tem a ver com as transferências [para paraísos fiscais] em concreto”, declarava Assunção Cristas no sábado à noite, tentando afastar definitivamente o CDS da polémica. Mas no dia seguinte de manhã o jornal Público lançava mais questões sobre Paulo Núncio, revelando que o ex-Secretário de Estado e militante do CDS esteve “ligado ao registo de 120 sociedades na Madeira”. 

Para além da Garrigues, uma sociedade de advogados onde Paulo Núncio trabalhou com o papel específico de gerir a relação da petrolífera venezuelana PDVSA (transferindo capitais para o Panamá através do BES), o jornal Público confirma agora uma investigação de 2015 do Esquerda.net, onde se revelou que Paulo Núncio trabalhou também na Zona Franca da Madeira durante dez anos.
 
Segundo o jornal, “este facto é relevante, uma vez que a publicação de dados sobre a Madeira foi a única dúvida oficial levantada por Núncio para não publicar dados sobre offshores”. 
 
A empresa onde trabalhava como advogado fiscaliza tinha o nome de MLGTS - Madeira Management & Investment SA, empresa detida pela sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, que prestava assessoria jurídica ao Centro Internacional de Negócios da Madeira. 
 
Esta sociedade foi apontada no livro Suite 605 como a criadora de um grupo de 112 sociedades com o mesmo nome, operação de clonagem que levou a investigações judiciais com origem em Itália. Antes das eleições de 2011, foi chamado por Paulo Portas para as reuniões com a troika, na altura apresentadas como “negociações”.
 
Durante o período em que trabalhou para a MLGTS, vigorava o I Regime do CINM, que oferecia serviços financeiros entretanto extintos. Este era “o regime mais liberal do centro de negócios madeirense, que permitia aos bancos instalarem uma sucursal offshore na ilha.”
 
Ora, conclui o jornal, Paulo Núncio, enquanto Secretário de Estado, impediu que fossem publicados os benefícios fiscais concedidos a empresas no CINM. 
 
Assunção Cristas justificou a relação de Paulo Núncio com a PDVSA declarando que "isso é positivo porque também qualifica as pessoas para poderem exercer determinadas funções".  

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