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Patrões tentam a todo o custo travar aumento de salário mínimo para 557 euros

CIP endurece chantagem e frisa não aceitar salário mínimo superior a 540 euros. Primeiro-ministro garantiu este sábado que acordo com o Bloco é para cumprir: em janeiro de 2017, o SMN não ficará abaixo dos 557 euros.
No Twitter, António Costa desmentiu a manchete do Expresso, garantindo que "o programa de Governo será cumprido na atualização do salário mínimo". Foto de Paulete Matos.

Num frente-a-frente com Arménio Carlos, líder da CGTP, promovido pela Antena 1, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) reforçou que só há margem para subir o salário mínimo de 530 para 538 euros, ou para o arredondar para 540 euros, deixando o aviso de que não estará disponível para fazer um novo acordo, se o atual for desrespeitado.

"O valor de 557 euros em 2017 não merecerá o acordo da CIP, porque a CIP respeitará o acordo que está válido [na concertação social], que não dá 557 euros", afirmou António Saraiva ao Negócios. "Independentemente das contrapartidas, porque não acredito que o Governo dê a dimensão de contrapartidas que justifique", acrescentou.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviço de Portugal (CCP) aponta igualmente para os 540 euros. João Vieira Lopes afirma não fechar a porta à negociação, mas admite que dificilmente se chegará a acordo.

A CCP defende que o Governo terá ou de renegociar com o Bloco de Esquerda ou apresentar medidas compensatórias, "sejam elas a nível fiscal, laboral ou económico". "É muito difícil chegar a acordo, não estou a ver que contrapartidas [compensem], mas não fecho a porta à negociação", afirmou João Vieira Lopes.  

Carlos Silva, líder da UGT, também já referiu que aceita uma subida do salário mínimo inferior aos 557 euros.

Em 2017, o salário mínimo nacional não ficará abaixo dos 557 euros

Reagindo à manchete do semanário Expresso este fim-de-semana, que assinalava que o acordo sobre o aumento do salário mínimo entre PS e Bloco estava em risco, o primeiro-ministro António Costa garantiu que o programa de Governo vai mesmo ser cumprido: em janeiro de 2017, o salário mínimo nacional vai chegar aos 557 euros.

No Twitter, o líder socialista escreveu: “A manchete do Expresso é falsa. O programa de Governo será cumprido na atualização do salário mínimo, o que aliás foi dito ao jornal”.

Aumento do salário mínimo é “condição básica da dignidade de quem trabalha”

Durante uma sessão pública sobre o Orçamento do Estado para 2017, em Braga, Catarina Martins sublinhou que “uma parte importante do acordo [com o PS] tem a ver com questões laborais que são relevantes para a recuperação de rendimentos, tais como combater a precariedade e aumentar o salário mínimo nacional”.

A coordenadora bloquista lembrou que “o salário mínimo nacional hoje vale menos do que valia em 1974” e que a sua subida "é um passo essencial para travar a pobreza em Portugal” e constitui uma “condição básica da dignidade de quem trabalha”.

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