Patrões do turismo contam com o Governo para manter salários baixos

23 de August 2022 - 10:15

Na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, a mediação do Ministério do Trabalho propôs salários de 635 e 660 euros para aprendizes e estagiários que ingressam no setor, acusa a FESAHT.

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Trabalhadores do turismo em luta. Foto CGTP

"Os patrões não podem queixar-se de falta de mão de obra ou apregoar intenções de melhorar os salários, carreiras e condições de trabalho para atrair trabalhadores para o turismo, quando, na verdade, patrões e Governo pretendem manter uma política de salários baixos e condições de trabalho inaceitáveis", afirma a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) em comunicado publicado na página da CGTP.

Em causa está a revisão do Acordo Coletivo de Trabalho com a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), cujas negociações decorrem com a mediação do Ministério de Trabalho. A FESAHT acusa o Governo de acolher várias propostas patronais e nenhuma proposta sindical, "ao mesmo tempo que propõe a manutenção dos salários baixos praticados no setor".

Entre as propostas apresentadas pela mediação encontra-se "uma que facilita a alteração dos horários de trabalho e outra que altera o regime de faltas, e onde propõe ainda salários de 635 e 660 euros, por isso muito abaixo do Salário Mínimo Nacional atual que é de 705 euros, para aprendizes e estagiários que ingressam no setor", acusa a federação sindical.

Receitas do setor ultrapassam as do ano recorde de 2019

Os trabalhadores não encontram razão para que o patronato e o Governo insistam em manter uma política de baixos salários e retirada de direitos, numa altura em que "todos os indicadores apontam que 2022 será um ano que ultrapassará 2019 - que foi o maior ano de sempre - em hospedes, dormidas, receitas totais e por quarto".

E citam os dados do INE relativos a junho, publicados na passada semana, onde se regista que em comparação com o mesmo período do ano passado, os proveitos totais aumentaram 157,0% (17% face a 2019) para 545,4 milhões de euros, e os proveitos de aposento atingiram 416,4 milhões de euros, refletindo um crescimento de 165,4% (17,4% face a 2019). Os indicadores do rendimento médio por quarto disponível e por quarto ocupado também cresceram este ano 13,6% e 14,6%, respetivamente, face ao ano recordista de 2019.

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