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Passos Coelho volta atrás e já não apresenta livro de José António Saraiva

Líder do PSD pede ao ex-diretor do Expresso e do Sol para o “desobrigar” de apresentar a obra “Eu e os políticos”, sobre a vida privada de pessoas com quem o jornalista conviveu. Francisco Louçã destaca que José António Saraiva “enoja o jornalismo e a decência”.
Foto de Mário Cruz, Lusa.

"Eu tenho defendido sempre que uma coisa é a política, outra coisa são as questões privadas e da intimidade das pessoas e não gostaria de ficar associado a isso, a uma discussão que pudesse misturar as duas coisas", alega agora o presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, para justificar o seu recuo.

Pedi ao arquiteto José António Saraiva que me desobrigasse desse compromisso porque entendo que o respeito e admiração que tenho por ele também tenho por pessoas que vêm ali retratadas e que são retratadas em termos que não são estritamente políticos", acrescentou o líder do PSD.

Para José António Saraiva, autor da obra a obra “Eu e os políticos: o que não pude (ou não quis) escrever até hoje [O livro Proibido]”, que contém conversas privadas e pormenores íntimos de várias personalidades portuguesas, “esta decisão foi absolutamente inesperada”, mas a mesma é “compreensível”. “Metendo-me na pele de Passos Coelho, é de facto a atitude mais sensata”, destacou.

O lançamento do livro, publicado pela editora Gradiva, que estava agendado para dia 26, em Lisboa, acabou mesmo por ser cancelado. Segundo avançou o jornalista em declarações ao jornal i, “a verdade é que o livro já não precisa de lançamento, com toda a publicidade que tem tido. É publicidade negativa, mas é publicidade”.

José António Saraiva assume violação da privacidade

Nas linhas finais do seu livro “Eu e os Políticos”, José António Saraiva assume que “um livro deste tipo só tem sentido se o autor se dispuser a contar tudo o que ouviu dos seus interlocutores, e relatar tudo a que assistiu, e que julgue ter interesse público”.

“Assim, como o leitor reparou, há no texto revelações duras e outras que roçam a violação da privacidade. Mas, insisto, é o preço a pagar por uma iniciativa como esta”, defende o jornalista.

Apresentação de Passos Coelho no lançamento do livro motivou uma onda de indignação

Apesar de Passos Coelho destacar que o seu recuo nada tem a ver com quaisquer pressões de membros do PSD, sendo “uma questão de natureza particular”, a verdade é que a sua participação no lançamento do livro motivou uma onda de indignação e levou, inclusive, à saída do PSD do antigo conselheiro nacional do partido Paulo Vieira da Silva.

Após ter lido o livro, Paulo Vieira da Silva tomou a decisão de sair do partido de que era militante há mais de 25 anos. “É completamente inadmissível que o presidente do PSD e ex-primeiro-ministro de Portugal faça a apresentação deste inqualificável livro que ultrapassa todos os limites da razoabilidade”, destacou.

“O jornalista que enoja o jornalismo e a decência”

Num artigo de opinião publicado no blogue do jornal Público "Tudo Menos Economia", e partilhado na sua página de facebook, Francisco Louçã destaca que António José Saraiva, que já “foi um dos mais poderosos jornalistas portugueses”, “enoja o jornalismo e a decência”.

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