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Partido de Merkel pretende revogar dupla nacionalidade de imigrantes nascidos na Alemanha

Alfredo Stoffel, conselheiro das comunidades portuguesas na Alemanha, considera decisão do congresso da CDU, o partido da chanceler alemã Angela Merkel, “um retrocesso”.
Congresso da CDU aprovou proposta da "jota" de revogar dupla nacionalidade aos filhos de imigrantes residentes na Alemanha.

A proposta, apresentada pela Juventude da União, a jota da CDU, prevê que filhos de imigrantes que tenham nascido na Alemanha voltem a ter de escolher entre uma das nacionalidades, sendo que a possibilidade de manter as duas cidadanias tinha sido aprovada em 2014 como parte de um acordo da coligação da CDU e o Partido Social-Democrata (SPD).

Alfredo Stoffel, em declarações à agência Lusa, afirmou que a Juventude da União está a enviar “uma mensagem errada”.

O conselheiro para as comunidades na Alemanha referiu que, se a medida seguir em frente, será negativa para a comunidade portuguesa no país, indo "contra o direito de dupla nacionalidade que é reconhecido pelo estatuto da União Europeia".

Stoffel acrescentou que a preparação da CDU para as eleições gerais do próximo ano tem resultado num distanciamento do centro-direita. Na sua opinião, os democratas-cristãos estão a voltar às suas “raízes nacionalistas”.

O conselheiro considera que o partido de Angela Merkel “perdeu um bocadinho o norte” em resposta à popularidade do partido xenófobo de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

O congresso do partido, que está a decorrer em Essen, adotou por maioria a revogação da norma atual (aprovada em 2014 durante a grande coligação do Governo Merkel), proposta pela Juventude da União.

Se a iniciativa da CDU seguir em frente, os filhos de imigrantes terão permissão para manter as duas nacionalidades até à maioridade, devendo nessa alternativa decidir por uma.

O próprio ministro do Interior, Thomas de Maizière, defendeu perante o congresso a fórmula vigente, em vez de proceder à sua revogação, mas os delegados pronunciaram-se contra.

Thomas de Maizière argumentou que no caso de o partido ganhar as eleições gerais de 2017, não será possível revogar a norma da dupla nacionalidade porque nenhum dos potenciais novos aliados apoiará esta medida.

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