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Partículas ultrafinas emitidas pelos aviões afetam qualidade do ar em Lisboa

Um estudo divulgado nesta terça-feira conclui que a qualidade do ar junto ao aeroporto de Lisboa, e numa faixa da cidade que vai até às Amoreiras, é fortemente afetada por partículas ultrafinas com origem nos aviões, que “são um risco considerável para a saúde”.
As partículas ultrafinas são 18 a 26 vezes mais elevadas nas zonas influenciadas pelos movimentos dos aviões, como as áreas mais próximas do aeroporto Humberto Delgado, e as zonas das rotas de aterragem – Foto wikipedia
As partículas ultrafinas são 18 a 26 vezes mais elevadas nas zonas influenciadas pelos movimentos dos aviões, como as áreas mais próximas do aeroporto Humberto Delgado, e as zonas das rotas de aterragem – Foto wikipedia

O estudo é da investigadora Margarida Lopes, foi desenvolvido no departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade e foi publicado na revista científica “Atmospheric Pollution Research”.

Segundo a agência Lusa, as amostragens realizadas para o estudo, que foram recolhidas entre julho de 2017 e maio de 2018, revelam que as partículas ultrafinas são 18 a 26 vezes mais elevadas nas zonas influenciadas pelos movimentos dos aviões, como as áreas mais próximas do aeroporto Humberto Delgado, e nas zonas das rotas de aterragem.

Riscos das partículas ultrafinas

As partículas ultrafinas, que são 700 vezes menores do que um fio de cabelo, só foram descobertas no início deste século, não são monitorizadas, nem têm um limite estabelecido por lei. Essas partículas entram no corpo pela via respiratória, mas também pela pele e por ingestão e podem até danificar proteínas intracelulares, refere o estudo, que alerta que estas partículas têm sido associadas também a doenças neurológicas, como a doença de Alzheimer e a de Parkinson, e a “problemas no desenvolvimento fetal e cognitivo das crianças”.

À RTP, Margarida Lopes apontou que “as evidências são muito fortes de que [as partículas ultrafinas] são altamente prejudiciais para a saúde, muito mais do que as partículas mais grosseiras usualmente monitorizadas e cujos limites estão estabelecidos” e referiu que há estudos internacionais que indicam que nas salas de espera dos aeroportos a concentração de partículas ultrafinas é “horrível”. A investigadora espera que em breve a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomende um valor limite para as emissões.

Emissão de partículas ultrafinas pelos aviões é brutal”

Margarida Lopes referiu em declarações à RTP que “a emissão de partículas ultrafinas pelos aviões é uma coisa absolutamente brutal”, salientando que, “dadas as circunstâncias do aeroporto de Lisboa” no centro da cidade, as concentrações de partículas ultrafinas são elevadas, sobretudo nas rotas de aterragem. A investigadora disse que de madrugada mediu valores da ordem das 1.000 partículas por centímetro cúbico, mas as concentrações eram muito superiores noutros períodos.

À Lusa, a autora do estudo diz que a concentração das partículas ultrafinas é muito grande junto ao aeroporto, assim como na zona do Campo Grande e à passagem dos aviões na rota de aterragem, estendendo-se a zonas como as Amoreiras.

“Há uma relação clara entre os movimentos aéreos e os níveis de partículas ultrafinas, a influencia estende-se de forma significativa a zonas como as Amoreiras”, aponta o estudo que diz também que os valores médios das partículas ultrafinas, quando e onde passam os aviões, são de cerca de 16 vezes superiores aos momentos em que não passam aviões.

À TSF, Pedro Santos da Quercus diz que o estudo “evidencia a necessidade de começarmos a preparar algumas medidas de prevenção e para uma transição para combustíveis menos poluentes".

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