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“Parte significativa dos moradores são idosos, doentes, grávidas e crianças”

Duas dezenas de moradores e desalojados do Bairro 6 de Maio, concelho da Amadora, concentraram-se esta quinta-feira em frente ao Ministério do Ambiente para exigir uma “solução de emergência” para o seu problema de habitação.
“Metade das pessoas estão desalojadas e outras estão em risco de verem demolidas as suas habitações", referiu a ativista Rita Silva.

“O Estado tem de encontrar uma solução de emergência para estas pessoas”, afirmou à agência Lusa Rita Silva, dirigente da Habita - Associação pelo Direito à Habitação e à Cidade.

“Metade das pessoas estão desalojadas e outras estão em risco de verem demolidas as suas habitações, enquanto algumas continuam em casa de familiares que também estão ameaçadas de despejo”, explicou a ativista.

Em comunicado, esta associação salientou ainda que os moradores exigem “habitação adequada para os já desalojados” e a “suspensão imediata de qualquer demolição, sem que seja encontrada uma solução de habitação acessível e adequada para esta comunidade”.

“Uma parte significativa dos moradores são idosos, doentes, grávidas e crianças”, apontou a Habita.

Apesar de não ter reunião marcada, o grupo de moradores e ativistas foi recebido pelo secretário de Estado Adjunto e do Ambiente e a associação “expôs mais uma vez a questão das demolições projetadas pela Câmara Municipal da Amadora no Bairro 6 de Maio”, informou fonte oficial do Ministério do Ambiente.

A mesma fonte acrescentou que José Mendes reiterou que a câmara “poderá comunicar ao IHRU [Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana] quais as famílias que serão desalojadas”, para que seja acionado o protocolo com o município “para que o IHRU possa analisar a situação e procurar uma solução dentro do seu parque habitacional”.

A associação deslocou-se ao ministério após ser ouvida, durante a manhã, no parlamento, em audiência pelo grupo de trabalho de Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de Cidades, no âmbito da comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação.

Para a Habita, o Governo deve encontrar soluções para as situações de “emergência social” existentes no Bairro 6 de Maio, que tem vindo a ser demolido no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER), lançado em 1993 e ao abrigo do qual o município da Amadora tem vindo a erradicar os 35 núcleos habitacionais degradados.

Fonte oficial da Câmara da Amadora informou esta terça-feira, com base em dados de finais de novembro passado, que “faltam realojar 79 agregados” no Bairro 6 de Maio, desconhecendo-se o número de residentes que não estão incluídos no PER.

Este bairro degradado da Damaia possuía 429 agregados inscritos no PER, dos quais foram realojados 182 agregados, através de várias modalidades do programa, incluindo apoios ao arrendamento, ao regresso aos países de origem e para aquisição de novas habitações, comparticipadas entre 20% e 60% do seu valor.

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