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Parlamento brasileiro quer suspender mandato a Jean Wyllys

A “quebra de decoro parlamentar” foi a razão invocada para a proposta de suspensão por quatro meses do mandato do deputado do PSOL, uma das figuras mais conhecidas da luta pelos direitos LGBT no Brasil.
Foto Ministério da Cultura do Brasil.

O acontecimento na base do processo que correu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados teve lugar durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Jean Wyllys fez uma defesa apaixonada da democracia contra o golpe em curso e foi insultado pelo deputado Jair Bolsonaro, que acusa de ter usado vários termos homofóbicos. No final do discurso, Wyllys terá cuspido em Bolsonaro, que antes havia enaltecido a memória de um torturador da ditadura militar como justificação para apoiar o impeachment de Dilma.

Jean Wyllys afirma que todo o processo que culminou na proposta de suspensão do seu mandato foi orientado por “disputas ideológicas”  e corresponde a “uma articulação golpista contra a democracia e os direitos humanos”.

"Pode-se defender torturadores no parlamento, pode-se rasgar a Constituição, pode-se trair a Pátria e o povo, mas não se pode lutar pela democracia, justiça social e pelo respeito às diferentes expressões das identidades e humanidades", diz o comunicado.

"Sabemos que o ineditismo da pena que pedem tem base na homofobia de um parlamento que joga com preconceitos da sociedade para desviar o foco de denúncias, estas, sim, graves, trazidas pelas recentes delações de empreiteiros”, afirmou o deputado nas redes sociais.

A vaga de solidariedade com Jean Wyllys surgiu por parte dos sectores da esquerda e do movimento LGBT brasileiro e a hashtag #EuApoioJeanWyllys tornou-se uma das mais usadas a nível mundial durante o dia.

“É tão absurdo, na hora em que o Congresso está caindo de podre, que o Ricardo Izar [relator do processo] peça a suspensão do meu mandato que eu chego a encarar como um elogio”, afirma o deputado que participou em setembro na abertura do Fórum Socialismo 2016, a convite do Bloco de Esquerda.

Veja aqui a entrevista de Marisa Matias a Jean Wyllys, gravada no Fórum Socialismo 2016:

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