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Parlamento alemão declara que a campanha de boicote a Israel é anti-semita

Os principais partidos alemães juntaram-se para aprovar uma moção não vinculativa que caracteriza o movimento BDS, Boicote, Desinvestimento e Sanções, como anti-semita. O Bundestag foi o único parlamento europeu a tomar esta posição. 60 académicos israelitas protestaram por esta posição.
Foto da campanha BDS

A CDU, o partido conservador de Angela Merkel, juntou-se esta sexta-feira com o seu parceiro de governo, o social-liberal SPD, os liberais do FDP e os Verdes para considerarem anti-semita a campanha palestina que apela ao boicote de produtos de Israel.

Destoaram desta unidade o partido de extrema-direita AfD, Alternative für Deutschland, e o partido de esquerda Die Linke. A extrema-direita parlamentar alemã absteve-se na moção maioritária e apresentou uma própria em que se apelava a proibir totalmente o movimento BDS. Um dos dirigentes do partido, Jürgen Braun, defendeu que o “anti-semitismo vem da esquerda e do Islão” e intitulou o seu partido como o verdadeiro partido “dos amigos de Israel”. Isto apesar dos relatórios governamentais sobre a violência anti-semita responsabilizarem a extrema-direita por cerca de 90% dos ataques anti-semitas no país.

Já o Die Linke disse que apesar de rejeitar o movimento BDS não apoiava a moção dos partidos do governo e apelava apenas a “condenar o anti-semitismo dentro do movimento BDS”.

Na moção maioritária intitulada “Resistir ao movimento BDS – Lutando contra o Anti-semitismo” lia-se que “os argumentos, padrões e métodos do movimento BDS são anti-semitas”. Afirmava-se ainda que a campanha colagem de autocolantes em produtos de origem israelita a dizer “não comprar” desperta “associações ao slogan Nazi “não comprem dos judeus” e era uma “reminiscência do mais terrível capítulo da história alemã”. Para justificar esta tomada de posição referia-se igualmente “o crescente desconforto” da comunidade judaica alemã dada a subida de crimes anti-semitas no país (em 2018 foram 1800 incidentes).

BDS, um movimento pelos direitos humanos

Numa carta aberta assinada por 60 académicos israelitas esta moção foi criticada como fazendo parte de uma tendência alarmante de “etiquetar os apoiantes dos direitos humanos dos palestinos como anti-semitas”. Os signatários dizem que este tipo de posição é “incorreta, inaceitável e uma ameaça à ordem democrática-liberal”. Assumem que, entre eles, há posições diferentes quanto ao movimento BDS mas convergem numa ideia: “todos rejeitamos a alegação enganosa que o BDS é anti-semita”. Classificam assim este como um movimento “não-violento que protesta contra violações sérias dos direitos humanos” e que é “explícito sobre a sua oposição categórica a todas as formas de racismo, incluindo o anti-semitismo”. E apontam que esta decisão se segue à campanha do governo mais à direita da história de Israel para “deslegitimar qualquer discurso sobre o direitos palestinos e qualquer solidariedade internacional para com os palestinos que sofrem com uma ocupação militar e discriminação severa.

O movimento BDS foi inspirado pelo boicote anti-apartheid da África do Sul. Tem apelado, para além do boicote a produtos israelitas, a artistas para não participarem em espetáculos naquele país, à imagem também do que fez o movimento anti-apartheid na África do Sul. Ultimamente, lançou esse apelo aos artistas que participaram no festival da Eurovisão.

Na sua página, o BDS descreve-se como um movimento “pela liberdade, justiça e igualdade” que promove o princípio de que “os palestinos devem ter os mesmos direitos que o resto da humanidade”. A sua oposição ao Israel é justificada por este Estado “negar os direitos fundamentais e recusar cumprir a lei internacional” mantendo um regime de “colonialismo, apartheid e ocupação”.

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