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Paris: Novo protesto contra a violação do jovem Théo por um polícia

Estudantes liceais bloquearam 15 liceus na área de Paris, nesta quinta-feira, e manifestaram-se na capital francesa, contra a violência policial. As manifestações prosseguem desde que foi conhecida a violação do jovem Théo com uma matraca por um polícia.
Milhares de estudantes na Place de la Nation, em Paris clamando por justição para Théo
Milhares de estudantes na Place de la Nation, em Paris clamando por justição para Théo

Estudantes voltam às ruas

Nesta quinta-feira, 23 de fevereiro, estudantes fecharam e bloquearam as entradas de 16 liceus. Posteriormente, concentraram-se na Place de la Nation e desfilaram numa manifestação que tinha sido proibida e em que participaram milhares de jovens estudantes.

A polícia carregou à bastonada e com gás lacrimogéneo. Os jovens destruíram montras, ergueram barricadas e queimaram caixotes do lixo. Pelo menos, 9 jovens foram detidos no bairro de Clichy e outros oito na Place de la Nation.

A união nacional dos estudantes liceais (UNL) de França apoiou o protesto, “para denunciar as violências policiais e pedir justiça para todos e todas as vítimas destas violências”.

Os protestos contra a violência policial prosseguem desde que foi conhecido o caso Théo.

O Caso Théo

No passado dia 2 de fevereiro de 2017, quatro polícias prenderam o jovem negro Théo Luhaka de 22 anos, num bairro de Aulnay-sous-Bois (Seine Saint-Denis).

Os quatro polícias prenderam, revistaram o jovem Théo e um dos polícias violou-o com um bastão, quando estava preso em Aulnay-sous-Bois.

O jovem foi internado no hospital e operado a uma ferida anal com mais de 10 centímetros.

Extrema-direita protege violência policial

Desde que foi conhecido o caso Théo, multiplicaram-se os protestos na região de Paris.

Todas as forças políticas, à exceção da Frente Nacional (FN) de extrema-direita, condenaram a violência policial e o presidente da República visitou o jovem no hospital.

A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, pelo contrário defende a repressão policial e acusa o governo de falta de apoio à polícia. É de salientar que em 2015, a FN recolheu 51,5% dos votos de militares e polícias em França.

Inspeção da Polícia: “consequências desproporcionadas”

Entretanto, foram conhecidas a primeiras conclusões da IGPN (Inspeção Geral da Polícia Nacional) de França sobre o caso Théo.

Segundo o Le Point, as primeiras conclusões da inspeção da IGPN sobre o caso Théo são... ridículas e absurdas. Diz a IGPN: “A interpelação era legítima, o uso da força era legítimo, só as consequências da intervenção – ferimento anal – são desproporcionadas sem que se consiga determinar as responsabilidades nesta fase”.

Uma tal declaração é uma autêntica justificação da violência policial e um claro encobrimento de um crime de violação.

França já foi condenada por violência sexual da polícia pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos

Já não é a primeira vez que se verificam violações sexuais por parte da polícia, as ameaças policiais de violência sexual são frequentes e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos já condenou a França, por duas vezes, por violências e sevícias sexuais cometidas pela polícia francesa.

O bastamag.net lembra que, em outubro de 2015, polícias municipais interpelaram Alexandre T, com 27 anos na altura, que foi violado com um bastão e sofreu uma perfuração anal de 1,5 cm.

A notícia recorda ainda as duas vezes em que o tribunal europeu dos direitos humanos condenou a França. O primeiro caso referente à violação com uma matraca, em 1991, de Ahmed Selmouni, um homem de 49 anos, na altura. O segundo caso, a de sevícias sexuais sobre Yassine D. de 16 anos, que sofreu lesão no testículo direito.

As violações e sevícias sexuais são pois antigas e comuns na repressão policial em França.

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