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Para Paulo Portas, o que interessa em Angola são os negócios

Segundo o ex líder do CDS, não devemos “explicar aos angolanos como é que eles devem ser angolanos". O “essencial” não são os atropelos sistemáticos aos direitos humanos, mas sim garantir que Portugal mantém a sua quota de negócios. No que respeita ao Brasil, o importante é que o país vá agora “fazer um caminho de maior abertura comercial".
Foto de Paulo Cunha, Lusa.

Durante um jantar conferência na Escola de Quadros do CDS-PP, Paulo Portas deu razão “à escola diplomática que entende que a missão do Estado português é defender os interesses de Portugal e que "não têm razão os que acham que é uma atribuição de Portugal explicar aos angolanos como é que eles devem ser angolanos".

"Esse tempo passou quando o império caiu", destacou, reforçando que "quem sabe o futuro dos angolanos, são os angolanos”.

O que preocupa Paulo Portas não são os atropelos sistemáticos aos direitos humanos por parte do regime ditatorial angolano, já que a missão de Estado português passa por defender os seus negócios noutros “mercados e territórios”.

“Concentremo-nos no essencial: se Portugal não tiver uma boa relação com angola os chineses, turcos, franceses, italianos, ingleses, espanhóis vão tomar as posições que Portugal tem em Angola”, deixou claro o ex vice-primeiro-ministro.

Também não devemos "dar lições aos brasileiros de direito constitucional"

No que respeita ao Brasil, Paulo Portas também defendeu que, independentemente da "opinião sobre o que se sucedeu no processo do 'impeachment'" que cada uma possa ter, não é competência de Portugal "dar lições aos brasileiros de direito constitucional".

A preocupação de Portas não passa pelos escândalos de corrupção que pesam sobre o presidente executivo Michel Temer e o seu executivo, o que “é bastante importante para Portugal” é “que o Brasil possa fazer um caminho de maior abertura comercial", antecipando que isso vai acontecer e que "é uma oportunidade para as empresas portuguesas".

"Dediquemo-nos ao essencial e não a juízos ideológicos sobre estados soberanos há muito tempo e que são por natureza necessários à nossa política externa", rematou.

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