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Pandemia está a ter efeitos mais duradouros nas mulheres

O alerta é deixado pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género, que divulgou alguns dados sobre os efeitos socioeconómicos da pandemia. Neste Dia Europeu pela Igualdade Salarial, veja aqui a "Infografia da Desigualdade de Género no Trabalho em Portugal" publicada pelo Bloco de Esquerda nas redes sociais.
Foto de Paulete Matos

O Instituto Europeu para a Igualdade de Género divulgou esta semana alguns dados relativos ao relatório sobre “Igualdade de género e as consequências socioeconómicas da crise de covid-19”, que está a ser preparado a pedido da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

No dia em que se assinala o Dia Europeu pela Igualdade Salarial, e em vésperas do Dia Internacional da Mulher, que se assinala na próxima segunda-feira, 8 de março, esta agência europeia divulgou um comunicado, a que a Lusa teve acesso, e no qual revela que a pressão sobre as mulheres no domínio da conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional aumentou no atual contexto de combate à covid-19.

Empregos perdidos, horários de trabalho reduzidos e violência doméstica crescente provam que o impacto da pandemia foi mais forte nas mulheres e fez “descarrilar as conquistas de igualdade”, alerta o Instituto Europeu para a Igualdade de Género.

Os dados agora divulgados alertam para o aumento dos conflitos sobre o equilíbrio vida-trabalho proporcionados pelo teletrabalho. Este aumento é mais notado nas mulheres com filhos pequenos, até aos cinco anos. O estudo reconhece que os homens “estão a assumir mais responsabilidades pelo cuidado”. Porém, “a fatia de trabalho não remunerado”, que envolve as tarefas domésticas e assistência aos filhos ou outras pessoas a cargo “aumentou para as mulheres”, refere o comunicado citado pela Lusa.

O relatório conclui ainda que as mães são mais interrompidas pelas crianças do que os pais, quando ambos estão em teletrabalho. “As distrações constantes e as responsabilidades acrescidas de assistência diminuem a produtividade das mulheres e podem vir a reduzir a progressão na carreira e o salário”, alerta o EIGE.

Maior perda de emprego registada em profissões dominadas por mulheres

Apesar de existirem mais mulheres do que homens em teletrabalho (45% vs. 30%), o instituto revela que têm existido “pesadas reduções de emprego em profissões dominadas por mulheres”, como é o caso dos setores têxtil, retalho, alojamento, lares e trabalho doméstico. É nestes setores que se verifica uma maior número de mulheres empregadas, e foi nestes que se perderam 40% dos empregos femininos.

Na primeira vaga de covid-19, verificou-se uma redução de 2.2 milhões de empregos para as mulheres em toda a União Europeia. Portugal foi o quinto país com mais perda de trabalho feminino. Os homens perderam 2.6 milhões de empregos, mas conseguiram recuperar mais trabalho no verão. As mulheres só conseguiram recuperar metade dos empregos que os homens retomaram.

Um outro aspeto que está a afetar mais as mulheres é a redução de horários, com Portugal a ocupar a segunda posição, só atrás da Espanha.

Com base na consulta dos dados do primeiro trimestre de 2020, o EIGE concluiu ainda que há mais mulheres a passar à inatividade, ou seja, que depois de ficarem desempregadas, não estão a procurar emprego (média de 40% vs. 33% nos homens). Neste caso Portugal também ocupa a segunda posição, no caso das mulheres, ficando só atrás de Itália, e desce para sétimo no caso dos homens.

“O impacto económico da pandemia está a ter efeitos mais duradouros nas mulheres” alerta a agência europeia, que defende que as políticas de igualdade entre mulheres e homens sejam “prioridade e centro dos planos de recuperação”. Caso contrário a “Europa vai andar para trás”.

Bloco lançou infografia da desigualdade de género no trabalho em Portugal

Para assinalar o Dia Europeu pela Igualdade Salarial, o Bloco de Esquerda publicou nas redes sociais esta inforgrafia que mostra o panorama da desigualdade de género vivida no campo laboral no nosso país.

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